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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Carlos Pereira: presidencialismo plebiscitário

Equipe BR Político

O cientista política Carlos Pereira, da FGV, disse neste domingo em entrevista ao Estadão que Jair Bolsonaro investe numa espécie de presidencialismo plebiscitário, pelo fato de ter um governo que é minoritário na Câmara. Ele considera arriscado recorrer cedo demais a uma estratégia de convocação permanente da população para dar suporte ao governo.

“O presidencialismo plebiscitário se caracteriza por mecanismos diretos de conexão entre eleitor e presidente na tentativa de não levar em consideração as instituições partidárias, com o objetivo de pressionar os partidos e os líderes partidários a votar de acordo com o presidente. O grande problema dessa estratégia é que normalmente só dá resultado para o presidente no curto prazo. Ao longo do tempo, quando o presidente estressa demais essa relação com o Legislativo, que se sente ignorado e pressionado, e no momento em que o presidente mostra alguma vulnerabilidade política, na economia ou caso de corrupção, o presidente corre sério risco de perder a capacidade de estabelecer os termos de negociação. O Legislativo passa a ter o poder de barganha e os custos de governabilidade se tornam muito altos. O presidente está arriscando demais e muito cedo em uma estratégia de confronto e isso tende a criar animosidade, problemas e uma relação truncada com o Legislativo”, afirmou.