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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Carlos volta as baterias contra Mourão, de novo

Vera Magalhães

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Os bolsonaristas adoram criticar a imprensa, mas não vivem sem ela.

Depois que Eliane Cantanhêde mostrou, em sua coluna no Estadão nesta sexta-feira, que perdeu fôlego a possibilidade de avançarem as representações contra a chapa Bolsonaro-Mourão na Justiça Eleitoral para que a paranoia de que o vice-presidente está à espreita de um golpe voltasse com força total no entorno do governo.

O primeiro a puxar o coro é, como sempre, o vereador Carlos Bolsonaro, filho 02 do presidente. Neste sábado, no Twitter, Carlos comparou a agenda do pai na véspera, se reunindo com ministros, com a de Hamilton Mourão, que se reuniu com um colunista da revista Época que está no “índex” da família como sendo hostil a Bolsonaro.

Com a perda de força da possibilidade de cassação da chapa, vocalizada pelo próprio Luis Barroso, presidente do TSE, em entrevista na última segunda-feira no Roda Viva, voltou a circular a possibilidade de que o impasse político e institucional no qual Bolsonaro mergulha resulte em seu impeachment.

Com isso, Mourão, que subira o tom em artigo no Estadão diante da possibilidade de ser engolfado pela cassação da chapa toda, voltou a se afastar de Bolsonaro, moderou de novo o discurso e se reaproximou da imprensa.

Carlos, portanto, não deixa de fazer a leitura correta dos movimentos. Mas a paranoia com Mourão não encontra amparo em nenhuma articulação que tenha o vice à frente, como ocorria com Michel Temer em relação a Dilma Rousseff, por exemplo. Pelo menos por enquanto o vice não só não deu a anuência para que se avance em articulações pelo impeachment como não é considerado “confiável” pelos atores políticos que poderiam conduzir um processo, como os congressistas.