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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Cármen Lúcia vê ‘desgoverno’ no combate à pandemia

Equipe BR Político

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A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, defendeu nesta quarta, 24, a decisão de abril alcançada pela Corte de que Estados e municípios podem executar as medidas que avaliarem necessárias para conter o avanço do novo coronavírus. A resposta, no entanto, veio com o juízo de que o País enfrenta um “desgoverno” no combate à pandemia.

“O que o Supremo disse é que a responsabilidade é dos três níveis (federativos) — e não é hierarquia, porque na federação não há hierarquia — para estabelecer condições necessárias, de acordo com o que cientistas e médicos estão dizendo que é necessário, junto com governadores, junto com prefeitos. Acho muito difícil superar (a pandemia) com esse descompasso, com esse desgoverno”, afirmou a magistrada durante live do UOL.

A ministra também avaliou que a atual falta de centralidade das ações governamentais é uma “falha gravíssima”. Esse problema é um dos vários apontados por cientistas e representantes da sociedade civil, a começar pelo não reconhecimento do governo federal de que a covid-19 é uma doença altamente letal. Outros exemplos da barafunda são a recomendação do presidente Jair Bolsonaro para o uso da cloroquina contra todos os prognósticos científicos, a rejeição por isolamento social a favor da abertura precoce da economia, tentativa de deslegitimação da Organização Mundial da Saúde e os atrasos na transferência de recursos da União a Estados e municípios para combater o surto.

“Um Brasil como o nosso, que não tem nem saneamento básico para todo mundo. As redes de esgoto contaminadas, submetendo as pessoas às condições mais precárias. Eu digo que é quase uma barbárie social. Não uma barbárie bruta da força, mas outro tipo de violência. E é uma violência que ficou escancarada com esta pandemia”, disse ela.

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