por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Carta do BR18: Bolsonaro e Maia voltam a se atacar e pessimismo com aprovação da reforma aumenta

Marcelo de Moraes

Por Marcelo de Moraes*

Ainda sem parecer compreender direito os efeitos políticos da derrota sofrida no Congresso, com a aprovação do orçamento impositivo, o governo foi caótico na sua reação. O presidente Jair Bolsonaro acabou dando mais uma entrevista polêmica, dessa vez ao apresentador José Luiz Datena, na Band, provocando o presidente da Câmara, Rodrigo Maia – justamente o condutor da sessão que aprovou a medida que pode engessar o orçamento do governo a partir do ano que vem. Bolsonaro disse que tinha “zero problema” com Maia, para, em seguida, dizer que o deputado “passava por um momento difícil” por causa da prisão de Moreira Franco, que é casado com sua sogra, e que devia estar “abalado”.

Maia, como previsível, devolveu o ataque com uma voadora. Disse que “abalados estão os brasileiros que estão esperando desde 1º de janeiro que o governo comece a funcionar. São 12 milhões de desempregados, 15 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza e o presidente brincando de presidir o Brasil”, afirmou. E disse que o presidente precisava “parar de brincadeira”. Informado da reação de Maia, o presidente afirmou que as declarações eram uma “irresponsabilidade”. Maia acabou fazendo um apelo ao presidente e ao seu entorno que “parem de criticar”. “Vamos governar. Eu, a Câmara, e ele o País.”

Esse clima de brigalhada entre dois dos principais atores da discussão da reforma da Previdência não foi ignorado pelo mercado. Deixando bem para trás os momentos de euforia que levaram o Ibovespa a passar da marca dos 100 mil pontos, o pessimismo provocado pela derrota na votação do orçamento impositivo e a sensação de que a reforma da Previdência pode empacar no Congresso causaram uma queda de 3,6% no mercado e fizeram a cotação do dólar disparar.

Para piorar, a fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, para os senadores provocou mais inquietações do que confiança. Falando na Comissão de Assuntos Econômicos, Guedes disse que se seu serviço não estiver agradando, “não tem apego pelo cargo”. Mas também acrescentou que não deixaria o posto apenas por causa de uma derrota no Congresso, como ocorreu na votação do orçamento. O ministro também admitiu que não falou para os deputados no dia anterior, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara porque sabia que poderia tomar pedradas até de parlamentares aliados. E depois de chegar a bater boca com a senadora Kátia Abreu, pediu desculpas se “ficou irritadinho”. “Estou muito cansado, andei levando balaços de quem devia me proteger”, afirmou o ministro.

Outros três ministros também estiveram no Congresso nesta quarta-feira. Sergio Moro participou da Comissão de Constituição e Justiça do Senado e tentou desfazer mal-entendidos entre seu pacote anticrime e à proposta elaborada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. É ideia é começar pelos senadores a tramitação da proposta do ministro da Justiça. Ricardo Vélez Rodriguez não foi bem na Comissão de Educação da Câmara. Tomou uma bronca da jovem deputada Tabata Amaral e ouviu pedidos para que saia do Ministério devido a sua “falta de capacidade” para o cargo.

Já Ernesto Araújo na Comissão de Relações Exteriores tocou na polêmica sobre o golpe de 1964. Ele reforçou o entendimento do presidente de que “não houve golpe” e defendeu a “comemoração” nos quartéis dos 55 anos do início dos anos de chumbo. Nesta quarta, entidades como a OAB e a ONG Human Rights Watch criticaram a iniciativa do governo federal de enaltecer o regime militar. Alias, isso é mais um motivo para atrito com Rodrigo Maia, que questionado sobre o assunto lembrou ser filho de um exilado político.

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*Colaborou Gustavo Zucchi

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