por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Carta do BR18: Com discurso superficial, Bolsonaro causa frustração em Davos

Marcelo de Moraes

Por Marcelo de Moraes *

Aguardado com grande expectativa, o discurso de Jair Bolsonaro na abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos tinha tudo para ser um marco positivo no seu governo. Eleito presidente abraçando uma plataforma liberal, era muito grande o interesse pelo recado que teria a dar sobre os rumos de seu governo. Se não pudesse ser explícito sobre seus planos, que pelo menos indicasse claramente os caminhos que pretende tomar. Só que numa fala decepcionante e superficial, de apenas seis minutos, o presidente brasileiro fez um discurso genérico, repleto de platitudes, sem sequer se referir a intenção de aprovar a reforma da Previdência. O resultado: Bolsonaro frustrou quem esperava por um pronunciamento que demonstrasse a intenção do Brasil de se tornar protagonista no cenário mundial e foco do interesse econômico internacional. E, claro, segue o mistério sobre qual reforma da Previdência o governo pretendo colocar sobre a mesa de discussões do Congresso.

Davos também era uma oportunidade perfeita para que o presidente conseguisse um refresco na desgastante agenda provocada pelo envolvimento de seu filho Flávio Bolsonaro com movimentações financeiras atípicas identificadas pelo Coaf na conta de seu ex-assessor Fabrício Queiroz. Se o peso da suspeita das operações financeiras envolvendo Flávio e Queiroz já era grande, a situação piorou com a descoberta de que parentes de policiais suspeitos de envolvimento com milícias trabalhavam no seu gabinete na Assembleia Legislativa no Rio. Flávio procurou jogar a responsabilidade sobre essas contratações para Queiroz, que negou associação com as milícias.

Enquanto o governo se enrola em problemas, o Congresso elege daqui a dez dias os presidentes de Senado e Câmara. E senadores do MDB já reclamam contra a possível interferência do Planalto na disputa. A líder do MDB e pré-candidata ao cargo, Simone Tebet (MDB-MS), levantou a suspeita de que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, estaria operando para tentar eleger seu colega de partido, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP). Os emedebistas reivindicam o direito de indicar o presidente do Senado por terem a bancada mais numerosa da Casa, levando em conta uma tradição parlamentar que volta e meia é ignorada no Congresso. Sempre é bom lembrar que em 2015, o então governo de Dilma Rousseff também tentou impedir que Eduardo Cunha se elegesse presidente da Câmara e a manobra fracassada acabou gerando uma guerra política contra os emedebistas. Quem também não gostou de saber que Onyx vem mexendo os pauzinhos é o senador Major Olímpio, que avisou: “Se o governo tivesse um candidato, sou eu”.

Novidades também em Curitiba. O juiz federal Luiz Antonio Bonat foi confirmado como primeiro da lista para substituir Sergio Moro no comando da Lava Jato.

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*Com Gustavo Zucchi

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