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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Carta do BR18: Empecilhos à reforma surgem de dentro do governo de Jair Bolsonaro

Vera Magalhães

Por Vera Magalhães*

Fica cada vez mais evidente que os maiores empecilhos para a aprovação da reforma da Previdência vêm de dentro do governo de Jair Bolsonaro. Nesta sexta-feira, 22, Rodrigo Maia respondeu aos ataques desferidos por Carlos Bolsonaro e pelas milícias digitais bolsonaristas. Ele anunciou que deixará nas mãos do governo a tarefa de conseguir votos para a reforma. Além da polêmica reestruturação das carreiras e do sistema de proteção social dos militares, que conseguiu a proeza de desagradar gregos e troianos entre os parlamentares, o pacote anticrime de Sérgio Moro virou mais um motivo de mal-estar. Carlos Bolsonaro, cuja evidência do controle das redes sociais do pai veio à tona na noite de quinta-feira, tuitou atacando Maia por atrasar a proposta do ministro da Justiça. Bolsonaro minimizou a crise: disse que “aquilo não era motivo” para insatisfação de Maia e comparou as queixas do presidente da Câmara com muxoxos de uma namorada que ameaça ir embora para ser chamada a conversar.

 

A ala olavista do governo, como de costume, jogou gasolina na fogueira. Filipe Martins, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, pediu “pressão popular” contra a velha política representada pelo presidente da Câmara para forçar o Congresso a aprovar as propostas econômicas –e ainda instou a equipe econômica a cerrar fileiras com o que chamou de “ala anti-establishment” do governo, seja lá o que isso signifique.

Eduardo Bolsonaro, que acompanha a comitiva presidencial no Chile, também teve sua cota de polêmica no dia. O deputado federal disse que para derrubar o governo de Nicolás Maduro “deverá haver em algum momento uso de força“. Foi desmentido pelo presidente Jair Bolsonaro e tentou se explicar depois: estava reproduzindo discurso de Donald Trump e não se referia ao Exército brasileiro.

Com tanto incêndio na praça, a função de bombeiro coube –veja só!– a Flávio Bolsonaro. O senador foi ao Twitter defender a importância de Rodrigo Maia para as reformas estruturais e teve que expor o óbvio: a única batalha que deve ser travada agora é pela Nova Previdência. “É dela que depende a governabilidade pelos próximos quatro anos”, escreveu o filho mais velho do presidente. Moro também tenta colocar panos quentes na situação e disse ao BR18 que tentará conversar com Maia para desfazer o mal entendido.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, nada de habeas corpus para Michel Temer, Moreira Franco e todos os presos na última quinta-feira. O TRF-2 decidiu que o pedido de liminar que pode soltar o emedebista será debatido na próxima quarta-feira apenas. O ministro do STF Marco Aurélio Mello negou habeas corpus a Moreira, alegando que analisar o caso seria queimar a etapa do TRF-2.

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*Colaborou Gustavo Zucchi