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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Carta do BR18: Encontro entre Bolsonaro e Trump foi cheio de amor entre os presidentes

Vera Magalhães

Por Vera Magalhães*

Donald Trump e Jair Bolsonaro foram só amor no encontro de ontem na Casa Branca. O presidente brasileiro fez uma inusitada, para um chefe de Estado, declaração de apoio à reeleição do republicano. Trump, por sua vez, saudou a presença do filho do colega brasileiro, Eduardo Bolsonaro, no encontro. A sintonia entre os dois foi vista também no repúdio à imprensa e à ameaça de um certo “socialismo” que ameaçaria os dois países.

Para além da retórica, pode resultar em bom saldo para o Brasil caso se confirmem os acenos feitos por Trump: o de concessão de status de aliado preferencial extra-Otan ao Brasil e o apoio ao pleito brasileiro para ingresso na OCDE, o chamado “clube dos ricos”. No primeiro caso, a simples conferência desse status não resultou em grandes ganhos para países como a Argentina. No segundo, autoridades do próprio governo norte-americano foram menos assertivas no apoio, ao condicioná-lo, por exemplo, a que o Brasil abra mão de benefícios dos quais goza por estar no grupo dos países em desenvolvimento na OMC, a Organização Mundial do Comércio.

Na questão mais importante do encontro para os EUA, a situação da Venezuela, Bolsonaro foi vago quanto ao apoio brasileiro a uma eventual pressão norte-americana por intervenção militar para depor Nicolas Maduro. Preferiu dizer que não entraria em detalhes por se tratar de questão estratégica, enquanto Trump disse mais de uma vez que todas as saídas estão à mesa. Entre os militares, porém, segue inalterada a orientação de que o Brasil não dará apoio a qualquer investida militar no país vizinho.

E por falar em militares, chegou o dia tão aguardado: deve ser enviado nesta quarta-feira o projeto de lei complementar que trata das aposentadorias e pensões das Forças Armadas. Oficiais do Alto Comando têm procurado agir para evitar ruído sobre o conteúdo dessas propostas. O receio é que notícias falsas sobre o tema causem desconforto nas Forças Armadas. O mesmo cuidado não foi demonstrado pelo vice-presidente Hamilton Mourão: ele estimou em R$ 13 bilhões em dez anos a economia prevista com a nova previdência dos militares –bem menos que o calculado pela equipe econômica quando enviou para o Congresso, há um mês, a proposta de emenda constitucional da Nova Previdência. Quer ficar informado? Além de assinar a nossa newsletter e acessar nosso site, você também pode nos seguir no Instagram. Diariamente, Vera Magalhães e Marcelo de Moraes recomendam as principais notícias do dia nos stories de nosso perfil. Segue lá: @brdezoito.

*Colaborou Gustavo Zucchi