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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Carta do BR18: Fechamento da fronteira da Venezuela é primeiro teste para a diplomacia de Bolsonaro

Vera Magalhães

Por Vera Magalhães*

A decisão do ditador Nicolás Maduro de fechar as fronteiras da Venezuela com o Brasil e a Colômbia para impedir a entrada de ajuda humanitária agrava a situação social e política do país vizinho e será o primeiro teste efetivo para a diplomacia do governo de Jair Bolsonaro. O Planalto e o Itamaraty agiram com correta cautela a mais um arroubo de Maduro, que adota medidas extremadas para tentar se manter no poder no momento em que a legitimidade do regime é contestada internacionalmente e a população enfrenta sérias restrições aos direitos fundamentais e às liberdades.

O tom do pronunciamento do porta-voz da Presidência, general Otávio do Rego Barros, foi o de procurar afetar normalidade: disse que a ajuda humanitária está mantida e que a disposição do Brasil é realizar a entrega no sábado, dia 23. Os militares acompanham com atenção a escalada da crise e nem cogitam qualquer ação do Brasil que passe por ingerência no país vizinho.

No front doméstico, Bolsonaro começa a tentar montar a articulação política para a reforma da Previdência, mas esbarra na resistência dos partidos do chamado Centrão. Com a desculpa de que têm restrições ao texto enviado e ao fato de a mudança na aposentadoria dos militares não ter sido enviada concomitantemente, partidos como PRB, PR e PP querem, na verdade, voltar a ter alguma ascendência junto ao Executivo e estabelecer um canal de diálogo com a gestão Bolsonaro.

Há uma disputa para definir quem será esse interlocutor: por ser o único civil entre os ministros mais próximos do presidente, Onyx Lorenzoni é o candidato natural ao posto. Mas ele terá de atuar em conjunto com um correligionário com quem tem um histórico de disputas recentes, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM).

O governo já sabe que terá de ceder em alguns pontos da reforma. Aqueles em que a oposição vai concentrar seus ataques são a aposentadoria rural (que tem a mesma idade de aposentadoria para homens e mulheres) e o pagamento de benefício de prestação continuada abaixo de um salário mínimo para quem tem menos de 70 anos. Estas e outras informações e as análises dos principais fatos da política e da economia você encontra na newsletter do BR18! Boa leitura!

* Com Gustavo Zucchi