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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Carta do BR18: Guedes declara amor pelos EUA, mas avisa que vai negociar com outros países 

Marcelo de Moraes

Por Marcelo de Moraes*

Num importante discurso na Câmara de Comércio americana, em Washington, o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou seu amor aos Estados Unidos, mas avisou que o Brasil vai negociar também com parceiros de outros países que apresentem as maiores vantagens para o País. O ministro citou explicitamente a China, com quem o País já mantém seu maior relacionamento comercial. “Temos grandes problemas com infraestrutura. Os chineses querem investir”, disse.

Guedes deixou claro que espera um avanço na parceria comercial com os Estados Unidos, mas em bases que possam ser vantajosas para o Brasil. “Querem nos vender trigo? Então, comprem nossas autopeças”, exemplificou. E convidou os americanos a participarem do financiamento de rodovias e da exploração de petróleo e gás. O ministro lembrou que os Estados Unidos pode, participar de futuro leilão do pré-sal, afirmando que chineses, noruegueses, entre outros países, estarão participando. 

Se Guedes fez também uma forte defesa das medidas que estão sendo adotadas pelo novo governo, como as propostas de reformas e a venda das estatais, que classificou como ineficientes, o presidente Jair Bolsonaro acabou adotando outro tom na sua fala. Como de costume, usou o discurso antipetista e antiesquerda, criticando os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. Falou de afinidades conservadoras do Brasil com os Estados Unidos e criticou o governo de Nicolás Maduro na Venezuela.

No Brasil, a reforma da Previdência voltou a gerar polêmicas. Num dia em que o otimismo com a aprovação da reforma da proposta foi um dos fatores que levaram a Ibovespa a atingir a histórica marca dos 100 mil pontos, coube ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, colocar os pés no chão para dar um choque de realidade nos defensores da reforma. Maia admitiu que as propostas de mudanças nas regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e da aposentadoria rural do enfrentam enorme resistência dentro do Congresso e que começam a contaminar o restante da discussão.

Na visão de Maia, a modificação do BPC, por exemplo, nem representará ganho fiscal para o governo e poderia ser retirado para abrir caminho para a reforma. Apesar da posição realista de quem está tendo de fazer o papel de uma espécie de líder informal da reforma dentro da Câmara, as declarações de Maia foram suficientes para provocar críticas nas redes sociais de perfis bolsonaristas.

Com a reforma tentando pegar no tranco, o governo publicou uma portaria para estabelecer critérios para a ocupação de cargos dentro dos principais escalões federais. Apesar de criar normas como, por exemplo, a obrigatoriedade do indicado ser ficha limpa, a medida foi considerada inócua por líderes partidários já que permite que o ministro de cada pasta passe por cima das regras, se achar necessário.

Outra decisão do governo chamou mais a atenção foi o fim da exigência de visto para entrar no Brasil para turistas que vierem dos Estados Unidos, Japão, Canadá e Austrália. A autorização foi dada mesmo sem o Brasil receber a contrapartida de reciprocidade de tratamento desses países. A medida foi anunciada como um fator para incentivar a vinda de turistas desses locais. 

Já O ex-ministro Antônio Palocci pôs hoje mais lenha na fogueira contra os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. Em depoimento à Justiça, Palocci garantiu ter presenciado pedidos do ex-presidente Lula à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em favor de empresas. Através de sua assessoria, Dilma afirmou Palocci “continua a mentir”.

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