Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Carta do BR18: PIB fraco aumenta pressão por reforma e Bolsonaro admite suavizar proposta

Marcelo de Moraes

Por Marcelo de Moraes*

O fraco resultado do PIB em 2018 aumentou a pressão para que o governo aprove a reforma da Previdência e comece a criar condições para que a economia do País saia do marasmo. O resultado de aumento de 1,1% mostrou que a recuperação do Brasil está mais lenta do que se imaginava e, certamente, pesou na declaração de hoje de Jair Bolsonaro, em café da manhã com jornalistas, admitindo que pode suavizar o texto da proposta em pontos como a idade mínima de aposentadoria para mulheres, que cairia de 62 anos para 60 e nos valores pagos no Benefício de Prestação Continuada (BPC).

As declarações do presidente tiveram forte impacto no mercado porque indicam que a proposta poderá ter um alcance menor do que se gostaria. Para alguns governistas, Bolsonaro pode ter acenado com recuo antes da hora, já que a questão da idade mínima para mulheres ainda não tinha sido apresentada como um problema pelos parlamentares dentro da discussão da reforma. E corre o risco de precisar ceder muito mais.

Eu conversei com o presidente e ele deixou clara a importância da aprovação da reforma para a retomada da economia. Bolsonaro disse que se a mudança na Previdência já tivesse sido votada no passado, o PIB e a economia, hoje, já seriam bem melhores.

Não foi apenas na reforma que o governo precisou enfrentar uma saia justa. Pressionado dentro do governo até mesmo por Bolsonaro, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, acabou tendo de recuar da indicação de Ilona Szabó para a suplência do Conselho de Políticas Criminais e Penitenciárias. As pressões contra a nomeação de Ilona foram fortes nas redes sociais por ela ser considerada uma “desarmamentista” e o ministro acabou desistindo e pedindo desculpas a ela através de uma nota.

O mal estar provocado pela rifada de Ilona gerou solidariedade à cientista política. Renato Sérgio de Lima, diretor presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, enviou carta a Moro pedindo exoneração da vaga no Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social.

Apesar dessas turbulências, Bolsonaro ainda conseguiu bater bumbo ao lado de Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino da Venezuela, que se reuniu hoje com ele em busca de fortalecer sua posição política. Guaidó afirmou que o ditador venezuelano Nicolás Maduro só não caiu ainda porque tem armas ao seu dispor. Bolsonaro reforçou o apoio ao aliado e aproveitou para criticar a esquerda brasileira. “Não pouparemos esforços dentro da legalidade e de nossas tradições para restabelecer a democracia na Venezuela: eleições limpas e confiáveis. Seu país pode contar conosco para a recuperação econômica. Dois ex-presidentes do Brasil tiveram culpa no que esta acontecendo na Venezuela. Graças a Deus, o povo aqui acordou e se mirou no que acontecia no seu país e resolveu dar um ponto final no populismo e na demagogia”, disse.

Paulo Preto, apontado como operado do PSDB em esquema de desvio de dinheiro público, foi condenado nesta quinta-feira. Ele recebeu uma pena de 7 anos e 8 dias em regime fechado e 20 anos de detenção pelos crimes de cartel e fraude à licitação.

Quer saber mais? Receber as principais notícias do BR18 no seu e-mail? É só se cadastrar na nossa newsletter, na caixa que fica na coluna da direita aqui do site.

Você vai receber um e-mail por dia com os assuntos mais importantes sobre a política nacional.

*Colaborou Gustavo Zucchi