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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Carta do BR18: Prisão de Temer aumenta turbulência política e governo tenta blindar reforma

Marcelo de Moraes

Por Marcelo de Moraes*

O ex-presidente Michel Temer foi preso hoje pela Operação Lava Jato, acusado de comandar uma esquema de desvios de recursos que pode chegar a R$ 1,8 bilhão. Além de Temer, foi preso também o ex-ministro de Minas e Energia Moreira Franco. A prisão, de grande impacto político, acontece justamente num momento em que a Lava Jato talvez enfrente seu momento mais crítico, nos seus cinco anos de existência.

Como escreveu a editora do BR18 Vera Magalhães, a prisão de Temer acontece num momento de grande turbulência política. “Estão no tabuleiro político as iniciativas do Supremo Tribunal Federal para ao mesmo tempo conter o “lavajatismo” e reagir a críticas, ataques e investigações contra a corte e seus integrantes; a necessidade de a própria Lava Jato reagir a sucessivos reveses que atingem a força-tarefa; as agruras do ex-juiz e ex-símbolo da Lava Jato Sérgio Moro para se adaptar à sua nova condição de ministro e, portanto, ator da política; a dificuldade do governo de articular uma base de apoio no Congresso e votar a reforma da Previdência, e a maneira como o Congresso e, por conseguinte, a classe política tentam se recuperar do processo no qual foram dizimados pela Lava Jato e perderam força de negociação com o governo”.

A prisão de Temer dá ao Brasil a triste marca de ter dois dos seus últimos três presidentes presos, acusados de cometerem irregularidades. Como Lula, que está preso em Curitiba depois de ser condenado em segunda instância, Temer terá direito a ficar detido na sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

O governo, agora, tenta impedir que a prisão de Temer amplie ainda mais as dificuldades para que a reforma da Previdência seja votada no Congresso. Com a base completamente desarticulada, o Planalto quer evitar que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, jogue a toalha e abandone o papel de principal articulador da proposta na Casa. O problema é que Maia não esconde sua irritação com a falta de ajuda do governo e com as pressões recebidas do ministro da Justiça, Sérgio Moro, para que acelere a votação do seu pacote anticrime. Maia e Moro trocaram críticas e o presidente da Câmara tem reclamado dos seguidos ataques que sites bolsonaristas têm feito contra ele.

E a insatisfação com o Planalto tem sido manifestada até por integrantes do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Felipe Francischini (PSL-PR), reclamou que, até agora, ninguém do governo o procurou para discutir o texto da reforma. Já o líder do partido na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO), avaliou que vão aumentar as dificuldades para votar a reforma por causa do projeto que reestrutura a carreira dos militares. Há enorme resistência à proposta porque deputados avaliam que os militares estariam ganhando vantagens demais em relação às demais categorias dentro da discussão da reforma.

No fim do dia, Bolsonaro deu as caras em sua tradicional “live” no Facebook para comentar os assuntos da semana. O presidente aproveitou o momento par defender seu modelo de governabilidade, sem “toma lá, dá cá” mas que até então não tem conseguido resultados efetivos para negociar com o Congresso. Para Bolsonaro, Temer foi preso por causa dos “acordos políticos” que fez em sua estada no poder. Outra novidade que o presidente trouxe foi avisar que vai ressuscitar uma das suas polêmicas promessas de campanha: novas urnas eletrônicas que, na opinião dele, serão passiveis de “serem auditadas”.

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*Colaborou Gustavo Zucchi