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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Carta do BR18: Reforma dos militares chega, mas deputados criticam reformulação da carreira

Gustavo Zucchi

Por Marcelo de Moraes*

 

O governo cumpriu o prazo prometido para enviar a proposta de reforma da Previdência dos militares para o Congresso, mas a iniciativa de apresentar um projeto com a reformulação da categoria desagradou aos deputados. Com a reforma previdenciária do setor, o governo estima economizar cerca de R$ 97 bilhões em dez anos. Mas esse ganho quase desaparece justamente por causa da reestruturação da carreira militar, que custará algo em torno de R$ 87 bilhões pelo mesmo período. Ou seja, o ganho para a economia seria de apenas R$ 10 bilhões numa década. Para os deputados, o gesto foi uma espécie de “dar com uma mão e tirar com a outra” e abre um precedente para que outras categorias também se considerem no direito de apresentar planos de reformulação de suas carreiras, como os professores, por exemplo.

 

Além disso, o presidente Jair Bolsonaro acabou levando pessoalmente a proposta para o Congresso num gesto na direção do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. O presidente ficou preocupado quando foi informado que Maia estava muito irritado com o Planalto por considerar que não estava recebendo reconhecimento pelo empenho na defesa da reforma. Pior: se queixava da pancadaria que estava recebendo de sites bolsonaristas, que o chamavam de “achacador”. Maia ameaçou nem receber a proposta, o que fez com que Bolsonaro entrasse em ação para fazer um gesto ao presidente da Câmara.

 

Bolsonaro sabe que a reforma da Previdência é a principal proposta do seu governo e não pode correr riscos de vê-la naufragar no Congresso. Especialmente depois da divulgação da pesquisa do Ibope sobre a avaliação de seu governo. Em apenas três meses como presidente, Bolsonaro já começa a perder importante capital político. De fevereiro a março, aqueles que consideram seu governo ótimo ou bom caíram de 39% para 34%. Como em janeiro essa marca era de 49%, sua queda já soma 15 pontos porcentuais nesse quesito. É a pior avaliação para um presidente em primeiro mandato no mês de março. Já quem considera o governo ruim ou péssimo pulou de 11% para 24%, o que é mais do que o dobro.

 

Talvez querendo evitar maiores problemas com o Congresso além dos necessários, o governo recuou em seu decreto que determinava certas exigências para nomeações em cargos comissionados. Foi atendida a exigência dos parlamentares: agora as novas regras valem inclusive para servidores que já ocupam funções dentro dos órgãos do governo federal. Antes, a medida passaria a valer apenas em 15 de maio. Servidores que não atendem as exigências terão até junho para serem exonerados.

Com a luz amarela ligada dentro do governo, a economia também toma seus cuidados. Na primeira reunião sob o comando do presidente Roberto Campos Neto, o Comitê de Política Econômica (Copom) decidiu, por unanimidade, que a taxa Selic permanecerá em 6,5% ao ano. Foi a oitava manutenção consecutiva da taxa neste patamar. Na justificativa, o BC acenou com  “cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária, inclusive diante de cenários voláteis, têm sido úteis na perseguição de seu objetivo precípuo de manter a trajetória da inflação em direção às metas”.

Com o fim da primeira viagem oficial de Jair Bolsonaro para um encontro bilateral, o saldo do encontro com o presidente Donald Trump gerou divergências para especialistas. Como mostra o BR18, alguns dizem que Bolsonaro obteve mais concessões que seus três antecessores. Outros defendem que o presidente brasileiro fez concessões concretas e obteve promessas retóricas.

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*Colaborou Gustavo Zucchi