Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Carta do BR18: STF determina censura a revista e site

Vera Magalhães

Vera Magalhães

 

O ministro Alexandre de Moraes determinou a censura à revista eletrônica Crusoé e ao site O Antagonista, ambos editados pelo mesmo grupo, por conta de reportagem de capa da revista do último fim de semana que identificava o presidente do Supremo, Dias Toffoli, como o “amigo do amigo do meu pai” em comunicações da Odebrecht, segundo teria confirmado Marcelo Odebrecht. O ministro usou inquérito genérico e sigiloso instaurado pelo STF e do qual é relator para determinar a censura às publicações e a remoção da reportagem que menciona Toffoli.

Desde a instauração do inquérito, que fala genericamente em apurar “ameaças” a ministros do STF e familiares, dissemos no BR18 que ele poderia se transformar num instrumento para coibir investigações contra ministros e cercear a imprensa, a Receita Federal e o Ministério Público.

No governo, o dia foi de conversas entre integrantes da equipe econômica e do Palácio do Planalto para tentar reverter o estrago ocasionado pela intervenção do presidente Jair Bolsonaro na Petrobrás, com a determinação de que o reajuste de 5,7% do diesel nas refinarias fosse cancelado. O presidente da empresa, Roberto Castello Branco, que participou de reuniões sobre o assunto, deu declarações de que a empresa é “livre” para arbitrar os preços dos combustíveis, mas evitou responder se o reajuste será retomado.

O imbróglio da Petrobras foi apenas uma notícia preocupante para o mercado. Na Câmara, se confirmou a inversão de pauta na Comissão de Constituição e Justiça que passou a proposta que amplia o caráter impositivo das emendas ao Orçamento na frente da reforma da Previdência — em derrota do governo.

O balde de água fria, que representa novo atraso na tramitação da reforma, veio no mesmo dia em que o crescimento de 2019 foi revisto para baixo pela sétima vez pelo mercado, para 1,95%.

O governo divulgou o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias com a previsão do déficit para 2020 de R$ 124,1 bilhões — número superior ao estimado para o ano que vem na LDO deste ano– e uma previsão de salário mínimo que, pela primeira vez em 15 anos, não prevê reajuste acima da inflação. O valor proposto na LDO para o mínimo no ano que vem é de R$ 1.040, alta de apenas 4,2% em relação aos atuais R$ 998, refletindo apenas a estimativa de inflação. Como o desgaste de não dar reajuste real do mínimo seria imenso para Bolsonaro, é possível que o governo anuncie, mais adiante, uma nova política de correção do mínimo e um novo valor por projeto de lei, medida provisória ou decreto. Essas e outras informações de uma segunda-feira em que o mundo parou, chocado, para assistir à Catedral de Notre Dame, em Paris, arder em chamas, estão na newsletter do BR18.

Tudo o que sabemos sobre:

Newsletter