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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Cartórios registram aumento de 31% nos óbitos por doenças cardiovasculares

Equipe BR Político

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Os Cartórios de Registro Civil brasileiros registraram um aumento de 31% no número de mortes por doenças cardiovasculares no período de 16 de março a 31 de maio deste ano, em comparação com o mesmo período de 2019, segundo o novo módulo do Portal da Transparência, lançado nesta sexta, 26, com dados de óbitos por doenças cardíacas, e desenvolvido pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Os falecimentos por causas cardiovasculares compreendem morte súbita, parada cardiorrespiratória, choque cardiogênico. No total, os óbitos por essas enfermidades saltaram de 14.938 em 2019 para 19.573 em 2020, e estão contabilizados no grupo Demais Óbitos Cardiovasculares.

Os falecimentos por causas cardiovasculares compreendem morte súbita, parada cardiorrespiratória, choque cardiogênico

Os falecimentos por causas cardiovasculares compreendem morte súbita, parada cardiorrespiratória, choque cardiogênico Foto: Eduardo Munoz/Reuters

O novo portal informa que entre os Estados que mais contabilizaram aumento no número de mortes por doenças cardiovasculares no período analisado estão o Amazonas, com aumento de 94%, seguido por Pernambuco, 85%, São Paulo, 70%, Ceará, com crescimento de 63%, Espírito Santo, 45%, Alagoas, 43%, Rio Grande do Norte, 35%, e Pará, 34%. O Distrito Federal registrou aumento de 19%, enquanto Rio de Janeiro e Paraná, viram um crescimento de 15%. Ao todo, 23 unidades federativas registraram aumento de mortes por causas cardíacas.

Já as mortes por Síndrome Coronariana Aguda (Infarto) e Acidente Vascular Cerebral (AVC) registraram queda no período analisado, -14% e -5% respectivamente, o que pode estar diretamente relacionado ao aumento do número de mortes em domicílio e à dificuldade do diagnóstico exato, segundo análise do presidente da SBC, Marcelo Queiroga.

“A forte correlação positiva entre o aumento de mortes cardiovasculares e domiciliares não especificadas corrobora essas explicações, pois pode sugerir que pelo menos algumas das mortes por infarto e AVC ocorreram em casa, impedindo o diagnóstico correto. Por outro lado, eventos cardiovasculares agudos podem ter diminuído em alguns locais, devido a riscos competitivos e menor exposição a gatilhos secundários de eventos cardiovasculares, como a poluição do ar”, diz Queiroga em nota.