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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Caso Bezerra só levanta suspeitas no Planalto

Alexandra Martins

As buscas e apreensões da PF no gabinete do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), só trouxeram dor de cabeça para o Palácio do Planalto. Uma das causas se deve ao fato de a Polícia Federal, sob responsabilidade de Sergio Moro, ter recorrido ao ministro Luís Roberto Barroso, do STF, após a ex-procuradora-geral Raquel Dodge negar autorização para as diligências. Para ela, não havia “indícios de que ele (Bezerra) registrasse os atos praticados, pois, ao contrário, adotou todas as medidas para manter-se longe deles, de modo que a medida invasiva terá pouca utilidade prática”.

Outra causa é o risco de o governo perder, no momento, um articulador útil para o andamento de sua agenda, especialmente no Senado, Casa cortejada atualmente pelo clã Bolsonaro em razão das ambições diplomáticas de Eduardo. Terceiro porque a cúpula da Polícia Federal esteve ou está sob ameaça e não engoliu até dias atrás a saída do responsável pela corporação no Rio de Janeiro. Os elementos fizeram o presidente Jair Bolsonaro perguntar a Moro: “A PF tinha razão para a busca e apreensão ou está fora de controle?”, segundo informa o Blog do Tales, do Uol.

O senador já tem sua tese sobre a investigação. Segundo ele, decorre de sua atuação “combativa” contra órgãos de “persecução penal”: “Causa estranheza à defesa que medidas cautelares sejam decretadas em razão de fatos pretéritos que não guardam qualquer razão de contemporaneidade com o objeto da investigação. A única justificativa do pedido seria em razão da atuação política e combativa do senador contra determinados interesses dos órgãos de persecução penal”, afirma nota assinada pelo advogado André Callegari, que o defende, segundo registra a Veja.