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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Caso Queiroz amplia riscos de estelionato eleitoral

Equipe BR Político

O presidente Jair Bolsonaro convive com o fantasma de estelionato eleitoral desde que a realidade do caso Queiroz começou a avançar contra seu filho, Flávio Bolsonaro (PSL-SP). O senador é investigado pelo Ministério Público do Rio em função de movimentações financeiras atípicas de seu ex-assessor. A assombração tem se materializado nas recentes interferências do presidente em órgãos como a Polícia Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e Procuradoria-Geral da República. O resultado colhido até o momento é o afastamento do governo dos movimentos e personalidades que apoiaram sua eleição e foram às ruas em defesa do combate à corrupção, como MBL e Vem Pra Rua, informa o Estadão.

O ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz

O ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. Foto: SBT Notícias

“Se fosse qualquer pai em qualquer cidade do Brasil a gente poderia dizer que pai é pai. Acontece que este pai tem poder”, disse Adelaide Oliveira, porta-voz do Vem Pra Rua. O coordenador da força-tarefa da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol, afirmou que “com certeza” a fase atual é a pior em ataques à operação. “Identifico um enfraquecimento no combate à corrupção vindo de vários pontos”, disse. No dia 25, o humorista Marcelo Madureira precisou sair escoltado de um ato na praia de Copacabana depois de criticar o presidente. Segundo o cantor Lobão, alvo de fortes ataques quando passou a criticar o presidente, Bolsonaro está a cada dia mais isolado junto ao núcleo duro do bolsonarismo e a tendência é que as pessoas que o apoiaram por rejeição ao PT pulem do barco sob o risco de ficarem estigmatizadas. Para o cientista político José Álvaro Moisés, da USP, o governo “está se afastando do que foi uma linha extremamente importante na campanha, o combate à corrupção”.