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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Celso de Mello deve decidir hoje sobre liberação do vídeo de reunião

Equipe BR Político

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O ministro do STF Celso de Mello deve decidir nesta sexta-feira, 15, sobre a divulgação do vídeo da reunião do presidente Jair Bolsonaro com ministros do dia 22 de abril, peça-chave na investigação sobre a intenção do presidente Jair Bolsonaro de interferência na Polícia Federal. O decano definirá se o vídeo será divulgado na íntegra ou parcialmente, informa a coluna do Fausto Macedo. A gravação da reunião foi apontada pela defesa do ex-ministro Sérgio Moro como confirmação da pressão de Bolsonaro pela interferência por interesses pessoais.

O decano do STF, Celso de Mello

O decano do STF, Celso de Mello Foto: Dida Sampaio/Estadão

A defesa de Moro solicitou a divulgação da gravação da reunião, cujo conteúdo inclui comentários polêmicos de ministros. Seu argumento defende que a divulgação integral do conteúdo caracteriza “verdadeira lição cívica”, por se tratar de um ato oficial do governo. Já a Advocacia-Geral da União e o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediram a divulgação apenas de partes do vídeo, alegando que haviam discussões de interesse de segurança nacional. O PGR solicitou uma divulgação ainda mais restrita, apenas com as falas do presidente que têm relação direta com a investigação. 

Celso de Mello, que relata a investigação sobre a suposta tentativa de interferência do presidente na PF, recebeu o vídeo do Planalto no dia 8. Na terça-feira, 12, Moro, advogados do ex-ministro, integrantes da Advocacia-Geral da União, procuradores e investigadores que acompanham o caso assistiram à gravação no Instituto Nacional de Criminalística da corporação em Brasília. Depois da sessão, um dos advogados que faz a defesa de Moro afirmou que o vídeo comprova integralmente as acusações do ex-ministro contra Bolsonaro.

Investigadores que acompanharam a exibição do vídeo avaliaram que o conteúdo da gravação tem dito que ela ‘escancara a preocupação do presidente com um eventual cerco da Polícia Federal a seus filhos’.

Depois da exibição, Celso de Mello deu 48 horas para que Moro, a AGU e a PGR se manifestassem sobre o levantamento do sigilo do material. Moro já havia entregue sua manifestação quando, na quinta-feira, 14, a AGU emitiu sua posição, pedindo a divulgação de trechos do vídeo, junto a uma transcrição de falas do presidente em que Bolsonaro explicitamente diz que “vai interferir”, mas, segundo sua defesa, isso diz respeito a segurança de sua família, feita pelo Gabinete de Segurança Institucional, e não na Polícia Federal, como defende Moro.

“Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar f* minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o Ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira”, diz parte da transcrição.

A última manifestação entregue foi a da PGR, na tarde da quinta-feira, 14. Segundo Aras, a divulgação da íntegra do material “o converteria em arsenal de uso político, pré-eleitoral, de instabilidade pública e de proliferação de querelas e de pretexto para investigações genéricas sobre pessoas, falas, opiniões e modos de expressão totalmente diversas do objeto das investigações.”