Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Censura ao Porta dos Fundos ‘une’ PSOL e MBL

Cassia Miranda

As críticas à determinação judicial que mandou tirar do ar o especial de Natal do Porta dos Fundos na Netflix foram capazes de unir virtualmente políticos ligados ao MBL e ao Psol, grupos que geralmente protagonizam antagonismos dentro e fora das redes. Após a decisão do desembargador Benedicto Abicair, do Estado do Rio de Janeiro, na quarta-feira, 8, o Twitter foi inundado por uma chuva de reações dos políticos.

O vereador Fernando Holiday (SP), um dos coordenadores do MBL, criticou a “censura patrocinada pelo “Estado”. “O Especial do Porta dos Fundos é ofensivo, ataca e zomba da doutrina cristã, das Sagradas Escrituras e da tradição. Contudo, o combate contra isso não deve se dar pela censura patrocinada pelo Estado. Esta apenas trará mais audiência e o efeito contrário ao que se pretende”, escreveu.

A deputada estadual pelo Psol, Luciana Genro (RS), chamou a decisão de “medieval”. “Uma decisão medieval que submete produções artísticas a preceitos religiosos. Os argumentos deste desembargador são adequados ao Tribunal da Inquisição, não a um Tribunal de Justiça. Censura nunca mais!”, escreveu.

Outro nome ligado ao MBL, o deputado estadual Arthur do Val (SP), mais conhecido como Mamãefalei, disse que o programa é de “péssimo gosto”, mas que ainda assim o Porta dos Fundos tem o direito de fazê-lo. “A censura contra o Porta dos Fundos é mais um ataque contra a liberdade de expressão. O ‘especial de natal’ é de péssimo gosto, mal feito e não tem a menor graça, mas ainda assim o Porta dos Fundos tem o direito de faze-lo e as pessoas têm o direito de escolher assistir ou não”, escreveu.

A deputada federal Sâmia Bonfim (Psol-SP), citou que em 2017, o mesmo desembargador se disse contra a “censura” ao votar por absolvição do então deputado Jair Bolsonaro em acusação de homofobia.”O mesmo juiz que censurou o especial de Natal do Porta dos Fundos absolveu Bolsonaro em acusação de LGBTfobia. A hipocrisia desse falso moralismo é gritante: precisamos barrar o autoritarismo e o conservadorismo que se alastram no País”, escreveu.

Já o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), relacionou a censura ao “obscurantismo medonho” do presidente Bolsonaro. “Censura baseada no obscurantismo medonho de Bolsonaro. No Brasil sempre houve sátiras, piadas, o cômico faz parte da nossa cultura. Desrespeito com a fé cristã é submeter nossa população ao seu ódio e absoluta falta de fraternidade com seu próprio povo”, escreveu.