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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ciro detona aliança para 2022 com Huck e Moro

Alexandra Martins

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Se dependesse do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), a tal aliança de centro com vistas às eleições de 2022 com o ex-ministro Sérgio Moro e o apresentador Luciano Huck, que se deslocou em outubro até Curitiba para conversar com o ex-magistrado sobre o assunto, não sairia nem hoje nem nunca. “No dia que Doria, Huck e Moro forem de centro, eu sou de ultra-esquerda, o que eu nunca fui”, afirmou o presidenciável após evento com a militância de seu partido, o PDT, em apoio ao ex-governador Márcio França (PSB), candidato à Prefeitura de São Paulo em uma chapa com o pedetista Antonio Neto como vice, reporta Paula Reverbel, do Estadão.

Ciro se coloca como candidato ao Palácio do Planalto, com forças também do centro e centro-esquerda, mas sem a participação do PT, como tudo indica até o momento, e Huck costura aqui e ali, ora com Rodrigo Maia (DEM-RJ), ora com Flávio Dino (PCdoB-MA). Já Moro é persona non grata para o Centrão.

Márcio França, do PSB (esq), Antonio Neto, do PDT (centro), e Ciro Gomes

Márcio França, do PSB (esq), Antonio Neto, do PDT (centro), e Ciro Gomes. Foto: Paula Reverbel/Estadão

“Então vamos ter compostura. Moro vendeu a toga em troca de um cargo vitalício, é um cara da extrema-direita. O Moro se veste como os fascistas italianos da década de 1930. Ele está sempre com uma camisa escura sobre um paletó escuro. O Moro é fascista. O Moro vendeu a toga, prendeu um adversário político, tirou o adversário político da eleição e, em seguida, aceitou ser ministro do que ganhou a eleição. Isso é uma lesão ética que transforma o Moro para mim em um grande malandro”, afirmou.

Ciro não deve ter engolido o fato de Moro ter gravado um vídeo para o adversário de seu candidato à prefeitura de Fortaleza, Capitão Wagner (PROS), apontado como um dos líderes do motim ilegal de policiais militares realizado em fevereiro no Ceará. Nesse episódio, o irmão dele, o senador Cid Gomes, foi baleado quando tentava romper o cerco com uma restroescavadeira.

Já quanto a Huck, o pedetista foi bem mais ameno. “O Luciano Huck é um apresentador de televisão. Ok, é uma tarefa das mais dignas. Isso prepara para enfrentar a maior crise social, econômica? O posicionamento internacional do Brasil, o Congresso hiper fraturado?”, questionou.

Ciro também vocalizou o que França tem dito a respeito do governador João Doria (PSDB), que é um dos que mais trabalham hoje por essa vaga de centro da disputa de 2022. “Ele (Doria) já resolveu: vai terceirizar a Prefeitura para o MDB, vai terceirizar o governo do Estado para o DEM. Esse é o plano dele, para ele ser o presidente da República. E vocês que se arrebentem”, afirmou.

Sobre o encontro que teve com Lula em setembro, Ciro falou que o saldo foi positivo. “Eu diria que, sob o ponto de vista das compreensões da questão brasileira para trás e para frente, continuamos como estávamos antes de conversar. Mas a mim me agrada a ideia de que a gente faça política conversando. Sabe? O que pega é catapora”.

Mas que lavaram “roupa suja”. “As pessoas gostariam de que eu usasse uma expressão popular: lavamos a roupa suja, para valer”.

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