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por Marcelo de Moraes

‘Classe média paulistana não é toda reacionária’, diz Boulos

Alexandra Martins

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Com bom trânsito entre os mais ricos, segundo as recentes pesquisas de intenção de votos, o candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, afirmou nesta segunda, 19, em live ao BRP, que não concorda com o entendimento generalizado de que a classe média paulistana não se importa com as desigualdades sociais ao ser questionado sobre a possibilidade de se governar ou não sem acenos aos representantes do capital.

O candidato do PSOL à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, em entrevista ao BRP

O candidato do PSOL à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, em entrevista ao BRP Foto: BR Político

“Eu acho que tem gente na classe média alta de são Paulo que também tem interesse em combater a desigualdade. Eu não concordo com essa posição que de vez em quando aparece que a classe média paulistana toda ela é reacionária ou que seria avessa ao projeto de esquerda”, disse.

“Na classe média você tem setores mais reacionários, mas também aqueles que entendem que o combate à desigualdade social é bom para a cidade como um todo”, completou.

Sobre reforma tributária em caso de vitória, o candidato afirmou que, em tempo de crise, falar em aumento de impostos não é a solução. “Essa não é minha proposta. Sou a defensor de uma reforma tributaria no âmbito federal, que não é essa que o Rodrigo Maia e o Paulo Guedes querem implantar”. Segundo ele, não haverá aumento de IPTU na Capital, no máximo “corrigir distorções”, e, entretanto, no caso do ISS, haverá aumento de alíquota para instituições financeiras.

“Porque a gente acha que os bancos, pelo que ganham, deixam uma contribuição muito pequena. Agora vamos combinar aqui que mesmo um aumento da alíquota para os bancos ele não é um fator decisivo do aumento arrecadatório. Ela é muito mais uma medida pedagógica, de quem a gente acha que tem que financiar políticas públicas em São Paulo, do que um grande incremento na arrecadação em São Paulo”, afirmou.

Sobre planos políticos futuros, Boulos disse que não pretende transformar a Prefeitura, caso vença, em “trampolim” e que não está com a cabeça em 2022, criticando abandonos de ex-gestores tucanos para disputas de outras esferas federativas. “Não sou carreirista. O que o PSDB faz com a cidade de São Paulo é vexatório. Eu teria vergonha de ser candidato pelo PSDB. O José Serra abandonou a Prefeitura na época do Kassab. O João Doria até assinou papel em cartório, que falcatrua. O cara visitou mais Salvador, Nova York que o Capão Redondo”, disparou.

No entanto, acrescentou que é preciso pensar no País sobre a necessidade de derrotar o “projeto de atraso do bolsonarismo”. “É cedo para falar em configurações para 2022. O que vai definir o xadrez de 2022 é o que vai acontecer em 2021, sobre como o governo vai lidar com a pandemia do desemprego”, disse.