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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Cloroquina pode derrubar mais um ministro?

Gustavo Zucchi

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A defesa incondicional por parte de Jair Bolsonaro pelo uso irrestrito da cloroquina contra o coronavírus pode colocar Nelson Teich em uma situação complicada no Ministério da Saúde. Como já vinha sinalizado há alguns dias, Bolsonaro confirmou em reunião com empresários nesta quinta-feira, 14, que irá dar uma “canetada” para mudar o protocolo que em relação ao medicamento que vinha sendo recomendado pela equipe de Teich.

O ministro da Saúde, Nelson Teich, e o presidente Jair Bolsonaro

O ministro da Saúde, Nelson Teich, e o presidente Jair Bolsonaro Foto: Dida Sampaio/Estadão

“Mas essa questão da cloroquina vamos resolver. Não pode o protocolo dizendo que só pode usar em caso grave. Não pode mudar o protocolo agora? Pode mudar e vai mudar”, declarou Bolsonaro. Já Teich, nas últimas vezes que falou com a imprensa, ressaltou que o medicamento tem de ser usado sob a supervisão de um médico.

“Um alerta importante: a cloroquina é um medicamento com efeitos colaterais. Então, qualquer prescrição deve ser feita com base em avaliação médica. O paciente deve entender os riscos e assinar o “Termo de Consentimento” antes de iniciar o uso da cloroquina”, disse Teich em seu Twitter no último dia 12.

Ontem, o ministro da Saúde esteve com Bolsonaro no Planalto e cancelou a coletiva de sua pasta para tratar de medidas sobre o coronavírus. Assim como deve acontecer com a cloroquina, o presidente decidiu sem ouvir Teich editar um decreto ampliando os chamados “serviços essenciais”.