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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Com Caixa e Funarte, cultura se consolida como campo de batalha do governo

Equipe BR Político

A cruzada do governo contra o setor cultural deixou o campo da retórica há tempos. Nesta sexta, 19 funcionários do Centro de Artes Cênicas (Ceacen) da Funarte foram exonerados pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, e a Caixa Econômica Federal, por exemplo, criou um sistema de censura na seleção de projetos culturais.

O ministro da Cidadania, Osmar Terra, participa de audiência pública na comissão de educação da Câmara dos Deputados

Osmar Terra. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Sobre a Caixa, iniciativas já aprovadas em editais da empresa precisam ser avaliadas por critérios polêmicos, como o levantamento de histórico da posição política dos artistas nas redes sociais, segundo reportagem da Folha. As informações devem constar em relatórios internos.

O relatório segue para a superintendência da estatal, em Brasília, e para Secretaria de Comunicação do Governo Federal, de acordo com relatos de funcionários à reportagem. Esses órgãos podem barrar ou aprovar os projetos e existe determinação para não contratação sem essas autorizações.

Alguns empregados ouvidos na matéria relataram que foi dito, explicitamente, que projetos com temática LGBT e sobre a ditadura militar deveriam ser evitados. Outros entenderam que temas que desagradam Bolsonaro teriam que constar nos relatórios.

No Centro de Arte Cênicas da Funarte, entre coordenadores, gerentes e subgerentes dispensados, estava o diretor da divisão, Roberto Alvim.

Escolhido para o cargo pelo presidente Jair Bolsonaro, Alvim declarou que a medida acabou com toda estrutura do Ceacen. O diretor afastado vinha protagonizando algumas polêmicas, como classificar a atriz Fernanda Montenegro de “sórdida” e “mentirosa” – ato que gerou reação da classe artística em defesa da artista.

Em outro episódio, ele indicou a mulher, Juliana Galdino, para dirigir um projeto orçado em 3,5 milhões de reais e, depois, voltou atrás na decisão. Sua gestão foi marcada por críticas à “agenda progressista” e ao “marxismo cultural”.