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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Com orçamento quase intacto, Salles pede verba a Guedes

Equipe BR Político

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O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pediu ao ministro da Economia, Paulo Guedes, a liberação de R$ 134 milhões para dar continuidade ao combate às queimadas florestais em um ofício enviado na quarta-feira, 9, que menciona como pretexto o risco de paralisação das ações caso não haja a disponibilidade do recurso. Nesta sexta-feira, 11, no entanto, um

do desempenho orçamentário da pasta do Meio Ambiente feito pelo Observatório do Clima revelou que até o dia 31 de agosto, o ministério havia gasto apenas cerca de R$ 105 mil, ou 0,4% do orçamento autorizado para ações diretas para 2020.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles Foto: Adriano Machado/Reuters

O tipo de recurso serve para custear a implantação de programas e ações de preservação do meio ambiente e não inclui o pagamento de salários, aposentadorias e outros gastos administrativos, inclusive com órgãos como o Ibama e o Instituto Chico Mendes. “Esse dinheiro, em tese, deveria ser usado para tocar toda a política ambiental federal a cargo do ministério, em ações como o combate à mudança do clima, a prevenção aos efeitos da desertificação, a política de proteção da biodiversidade e a promoção da qualidade ambiental urbana – que o ministro diz ser sua prioridade”, aponta o Observatório. Segundo a nota técnica, o porcentual é calculado a partir da comparação entre o total de recursos autorizado pelo governo e os valores liquidados até então.

“O valor de execução é tão baixo que impressiona”, afirmou a especialista-sênior em Políticas Públicas do Observatório, Suely Araújo. “Os números indicam que não estamos longe do plano inicial de Jair Bolsonaro de extinguir o Ministério do Meio Ambiente, porque na prática a pasta está parada”, avaliou.

Nos últimos dias, o governo tem sido pressionado a agir contra as queimadas no Pantanal, cujos números têm mostrado tendência de recorde neste ano. Depois das pressões, Salles ocupou suas redes sociais na quinta com um vídeo que nega a alta de queimadas na Amazônia e uma provocação ao ator Leonardo DiCaprio, que tem criticado a negligência da gestão Bolsonaro com a preservação da Amazônia. / Roberta Vassallo