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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Com redução de auxílio, ‘governo pode começar a se derrotar’

Alexandra Martins

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O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) considera que a redução do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300, conforme foi anunciado nesta terça, 1, pelo presidente Jair Bolsonaro, pode frustrar a população desassistida. “A partir do momento que você provê, o beneficiário sabe que é possível obter assistência do governo. Seria preciso oferecer um benefício maior ao já oferecido. O governo pode começar a se derrotar com essa oferta”, disse o parlamentar ao BRP, que participou da Comissão Mista da Covid-19 do Congresso nesta manhã. O colegiado recebeu o ministro Paulo Guedes em videoconferência.

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG). Foto Lula Marques

Lopes levantou a suspeita de que o número de “38 milhões de invisíveis”, aqueles sem registro de carteira assinada no País, seja maior que o divulgado pelo titular da Economia. “O Caged não é alimentado desde 2018. Está ocorrendo um verdadeiro apagão com os dados demográficos”, disse. Em 2019, o IBGE informou, por exemplo, que haviam sido gerados, em um ano, pouco mais de 1,4 milhão de postos sem carteira assinada ou CNPJ contra 403 mil vagas formais. “Todo mundo sabia que tinha invisíveis. Desde 2019 os informais superaram os formais. O dado que tenho é que 52% da população está sem renda, ou melhor, está desocupada. Antes da pandemia esse número já era de 65 milhões de pessoas”, acrescentou.

O fato é que sem a realização da estimativa intermediária do Censo 2020, feita normalmente na metade da década, enquanto processo que antecede os dados decenais, as previsões de Guedes recaem no campo das incertezas. “É muito ruim para um ministro da Economia dizer que não sabia que o Brasil tinha 38 milhões de invisíveis. Evidente que o senhor tinha conhecimento, como todos os brasileiros porque o Brasil de fato passou a ter mais trabalhadores informais que formais. Isso é péssimo para toda a economia brasileira e para a seguridade social”, disse Lopes a Guedes.

O deputado é autor de um projeto de lei de renda básica universal. Segundo ele, “nós temos 100 milhões de brasileiros que, antes da pandemia, tinham uma renda de R$ 413, isso é inaceitável para um país da riqueza do Brasil”.