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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Com uma no cravo e outra na ferradura, Aras se sai bem

Vera Magalhães

Vai se saindo bem na sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado o indicado por Jair Bolsonaro para a Procuradoria-Geral da República. Ao responder, em blocos, aos questionamentos (de modo geral muito brandos) dos senadores, Aras fala de forma compassada, faz menções constantes ao fato de já ter “cabelos brancos”, pede a confiança da Casa, fala em diálogo e em seguir a Constituição.

Suas respostas sobre a Lava Jato são a mostra cabal da estratégia bem-sucedida que adotou. Enalteceu as realizações da operação, suas conquistas, louvou o trabalho dos procuradores de primeira instância, que teriam levado a avanços nas instituições, mas fez críticas pontuais e deixou aberta a brecha para a punição de eventuais abusos.

“Talvez se tivesse lá alguma cabeça branca, poderia dizer a eles (procuradores da Lava Jato) que poderíamos fazer a mesma coisa mas sem tanta ribalta”, afirmou. Disse que vai se guiar pela “doutrina” ao arbitrar controvérsias como a que diz respeito ao momento em que a defesa de delatores e delatados se manifesta. Afirmou que não vai perseguir procuradores, e que os que forem acusados de abusos terão o direito ao devido processo legal.