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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Combate à violência contra mulher precisa de recursos, sim

Cassia Miranda

Para o presidente Jair Bolsonaro, políticas para o combate à violência contra a mulher não precisam de “dinheiro”, mas sim de mudança de “postura”. A declaração foi feita na manhã desta quarta-feira, 5, em frente ao Palácio da Alvorada. Na fala, o presidente desconsidera que mudanças de comportamento não acontecem por milagre, mas sim por meio de campanhas e da institucionalização de políticas públicas de enfrentamento da questão. E que as vitimas de agressão precisam de tratamento, apoio e acolhimento. E o Estado só pode oferecer isso se destinar verbas para essa área.

No Brasil, os dados mostram que a violência contra mulher é um assunto urgente: uma mulher é agredida a cada quatro minutos, segundo dados do Ministério da Saúde. Segundo dados do Instituto Igarapé, 1,23 milhão de mulheres vítimas da violência recebeu atendimento médico entre 2010 e 2017. Em 90% dos casos, o agressor era uma pessoa próxima da vítima, e 36% das vezes, o parceiro.

Foto: Fabio Motta/Estadão

Segundo levantamento feito pelo Broadcast, houve redução drástica nos recursos do governo para a área entre 2015 e 2019 e que o programa Casa da Mulher Brasileira ficou sem receber um centavo em 2019. A Casa da Mulher foi criada para oferecer atendimento integrado às vítimas de violência.

O orçamento da Secretaria da Mulher, órgão sob o comando da ministra Damares Alves, foi reduzido de R$ 119 milhões para R$ 5,3 milhões. Levantamento feito pelo reportagem aponta que, no mesmo período, os pagamentos para atendimento às mulheres em situação de violência recuaram de R$ 34,7 milhões para apenas R$ 194,7 mil.

“A (ministra) Damares está sendo 10 nesta questão, não é dinheiro, recurso. É postura, mudança de comportamento que temos que ter no Brasil, é conscientização”, disse Bolsonaro.