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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Como fica o Planalto com a demissão de Bolton?

Cassia Miranda

A cena virou um clássico: Jair Bolsonaro, recém-eleito presidente, sentado à mesa com o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, hoje, recém-demitido pelo presidente Donald Trump. À frente deles, uma confusa mesa de café da manhã à brasileira. No encontro, Bolton convidou Bolsonaro para ir aos EUA. O brasileiro, por sua vez, considerou a reunião “muito producente”.

O presidente Jair Bolsonaro toma café com John Bolton, então conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos

Foto: Divulgação/Assessoria do presidente eleito

O que Bolsonaro talvez não imaginava, é que tinha ao seu lado um Bolton “vulnerável” e “enfraquecido”, segundo o diplomata brasileiro aposentado José Maurício Bustani, que conheceu bem o conselheiro no período em que foi presidente da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq).

“Ele foi tratado com tapete vermelho, infelizmente, pelo nosso governo, expuseram o presidente Bolsonaro a ele inutilmente. Bolton era uma pessoa descartável e seria dispensada eventualmente. Foi uma falta de avaliação do Itamaraty de se perceber isso”, avaliou Bustani em entrevista ao Estadão.

Apesar de para o Brasil, a demissão não mudar muita coisa, na avaliação de Bustani, é fato que o governo brasileiro perde, na figura de Bolton, um de seus principais e primeiros interlocutores em Washington. Outro efeito da demissão é que, em terras tupiniquins, ela deve acalmar os ânimos daqueles que ansiavam por uma intervenção na Venezuela.