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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Comunidade indígena repudia discurso de Bolsonaro

Equipe BR Político

Líderes de 16 povos indígenas – Aweti, Matipu, Mehinako, Kamaiurá, Kuikuro, Kisedje, Ikpeng, Yudjá, Kawaiweté, Kalapalo, Narovuto, Waurá, Yawalapiti, Nafukuá e Tapayuma do Parque do Xingu publicaram uma nota de repúdio à participação da indígena bolsonarista Ysani Kalapalo na comitiva de governo presente na 74ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York.

Ysani Kalapalo, indígena que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro na ONU e foi citada em seu discurso

Ysani Kalapalo, indígena que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro na ONU e foi citada em seu discurso. Foto: Reprodução/YouTube

Segundo eles, a escolha de Ysani é ofensiva por “dar destaque a uma indígena que vem atuando em redes sociais com o objetivo único de ofender e desmoralizar as lideranças e o movimento indígena do Brasil”. No documento, os caciques afirmam que Bolsonaro usa a convidada “com o objetivo de convencer a comunidade internacional de sua política colonialista e genocida”.

Outros representantes indígenas, como os da Associação do Território Indígena do Xingu (Atix), da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), da Associação Floresta Protegida (AFP) e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), ouvidos pela BBC Brasil também contestaram as falas de Bolsonaro sobre as comunidades indígenas durante o evento.

A publicação lembra que, diferente do que afirmou o presidente, de que existem no Brasil “225 povos indígenas, além de referências de 70 tribos vivendo em locais isolados”, o IBGE reporta a existência de 305 povos indígenas e 107 povos isolados, segundo a Funai.

Um dos pontos que causaram indignação entre os indígenas foram as ofensas de Bolsonaro contra Raoni. “O discurso do presidente é uma ofensa muito grave aos povos indígenas. Ofende o reconhecimento e o trabalho que Raoni vem fazendo durante mais de 40 anos na defesa de direitos dos indígenas”, disse Yanukula Kaiabi Suiá, presidente da Atix.

No final de agosto, Bolsonaro já havia sido alvo de outra nota de repúdio, dessa vez assinada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, que condenou suas políticas ambientais: “Enquanto a Amazônia arde em chamas, o presidente anti-indígena Jair Bolsonaro segue destilando sua ignorância e racismo contra os povos indígenas do Brasil”, começa a nota. De acordo com o comunicado, Bolsonaro também estaria usando sua plataforma política para pregar uma “política genocida, etnocida, anti-ecológica e anti-indígena”