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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Congresso americano pode frustrar acordo comercial com Brasil?

Equipe BR Político

A viagem do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a Washington iniciada nesta quarta-feira, 11, tem como um dos objetivos principais discutir passos para um acordo comercial entre o Brasil e os EUA. Uma das ideias é facilitar de forma mútua a entrada de mercadorias de empresas pré-aprovadas por ambos os países. Mas ainda é cedo para cantar vitória: enquanto o presidente Jair Bolsonaro e seu equivalente americano, Donald Trump, mantêm uma boa relação, o Congresso dos EUA não anda muito entusiasmado com a política ambiental do governo brasileiro, e isso pode trazer impactos na relação comercial entre os dois países.

Já existe até uma iniciativa no parlamento americano para barrar as negociações de um acordo com o Brasil, além de boicotar a importação de certos produtos nacionais. A proposta, de autoria do deputado democrata Peter DeFazio, fala em barrar a compra de carne, soja, couro, madeira, açúcar, tabaco, papel, milho e petróleo brasileiro, em resposta à “falha do governo do Brasil em combater agressivamente os incêndios na floresta amazônica e o desmatamento”. O projeto de lei tem o apoio de outros 14 congressistas. 

A Amazônia também foi discutida em outra sessão do Congresso americano, em um tom bem mais ameno e sem menções a boicotes. Você viu aqui no BRPolítico que, na terça-feira, 10, a economista brasileira Monica de Bolle participou como testemunha em uma audiência no parlamento norte-americano, na qual deu algumas sugestões ao governo americano sobre como proceder para ajudar a combater o desmatamento na floresta amazônica. “Embora a presença dos democratas tenha sido maior do que a presença dos republicanos, acho que, dos dois lados, há uma preocupação enorme com o que está acontecendo na Amazônia neste momento e uma preocupação construtiva”, disse de Bolle, segundo o Globo

A expectativa do governo brasileiro com o acordo, segundo a Folha, é conseguir simplificar a exportação de mercadorias brasileiras, a partir da lista de empresas pré-aprovadas, ainda neste ano. O chanceler brasileiro deve aprofundar a ideia nas reuniões que terá ao longo da semana. Se der certo, seria um passo a mais em direção ao acordo comercial pretendido. Mas é necessário ter em mente que um acordo de comércio bilateral precisa do aval do Legislativo dos dois países. Vale também lembrar, como ressaltou De Bolle, que acordos comerciais firmados hoje em dia incluem cláusulas sobre proteção ambiental. “Isso é comércio no século XXI”.