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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Congresso americano discute situação da Amazônia

Equipe BR Político

O Congresso norte-americano realizou nesta terça-feira, 10, uma audiência para discutir a situação das queimadas na Amazônia. A sessão, chamada “Preservando a Amazônia: um imperativo moral compartilhado”, ouviu o testemunho de três especialistas no assunto. Dentre eles, a economista brasileira Monica de Bolle, da Universidade John Hopkins, que sugeriu aos parlamentares americanos medidas a serem tomadas pelo governo dos EUA para ajudar a preservar a floresta amazônica.

Rescaldo de incêndio em unidade de conservação ambiental em Manicoré, município na região amazônica

Incêndio em unidade de conservação ambiental em Manicoré, na região amazônica. Foto: Gabriela Biló/Estadão

A economista recomenda que os Estados Unidos voltem ao Tratado de Paris, abandonado pelo presidente estadunidense, Donald Trump, em junho de 2017. De Bolle acredita que os Estados Unidos e o Brasil deveriam aproveitar a aproximação que têm para “imediatamente estabelecerem um plano de ação para implementar medidas para preservar e restaurar a floresta”.

Outra ação sugerida aos congressistas seria doar dinheiro para o Fundo Amazônia, que encontra-se em um limbo após a interrupção de recursos por parte da Alemanha e Noruega. Os dois países eram os principais doadores do fundo, mas suspenderam as verbas que doariam em protesto à política ambiental do governo do presidente Jair Bolsonaro. “O fundo se beneficiaria muito da ajuda financeira dos Estados Unidos”, disse De Bolle.

A economista brasileira Monica de Bolle

A economista brasileira Monica de Bolle. Foto: Claudia Trevisan/Estadão

Do lado brasileiro, a economista sugere, dentre outras medidas, impôr mais regulamentações à Amazônia para favorecer atividades econômicas sustentáveis, aumentando as opções de trabalho para a população local, mas também focar em desmantelar ações ilegais na floresta.

A economista terminou seu depoimento alertando para a postura ambiental do governo brasileiro. “O aumento no desmatamento precede a vitória eleitoral do presidente Jair Bolsonaro. Mas o desmonte de agências (de fiscalização) da área ambiental sob seu comando – assim como sua retórica no passado e no presente a respeito do meio ambiente – encorajou fazendeiros, madeireiros, e outros atores a se engajarem em um comportamento predatório com relação à floresta”.