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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Contradição de Bolsonaro: foi a cloroquina ou o ‘histórico de atleta’ que o curou?

Gustavo Zucchi

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A triste marca de 100 mil mortos por coronavírus não influenciou em nada na opinião de Jair Bolsonaro. Nesta quinta-feira, 13, em sua transmissão nas redes sociais, o presidente voltou a destilar desinformação. E, ante sua “paixão” pela cloroquina e a ânsia para que a população ignore a pandemia e retome as atividades, nem percebeu uma contradição evidente em seu discurso.

Como já é costume, Bolsonaro teceu loas e glórias à hidroxicloroquina, colocando-se como “prova viva” de que a droga é eficaz. Anunciou ainda que não será mais necessária a receita em duas vias para se adquirir o medicamento, uma medida tomada pela Anvisa justamente para evitar uma corrida às farmácias atrás de uma panaceia.

Só que o presidente anunciou que divulgará em breve o que, em sua visão, seria uma “grande novidade”. Um estudo que provaria que “80% da população” seria “imune” ao covid-19, tendo poucos ou nenhum sintoma. Voltou a repetir também a “polêmica” de que, por seu “histórico de atleta”, ele não corria risco de contrair a versão mais grave do coronavírus.

Sabe-se realmente que o coronavírus reage diferente de pessoa para pessoa dependendo ainda de fatores desconhecidos. E que há uma grande quantidade de assintomáticos ou de pacientes que desenvolvem sintomas amenos. E é justamente por isso que os testes randomizados e controlados com medicamentos são tão importantes. E estes testes demonstram que nem a hidroxicloroquina, nem a droga combinada com a azitromicina modificam o porcentual de infectados que se recuperam do coronavírus.

Foi o que apontou, por exemplo, pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), do Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e dos hospitais Albert Einstein, HCor, Sírio-Libanês, Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficência Portuguesa com 665 pacientes e publicado no New England Journal of Medicine.

Independentemente disso, a recomendação mundial ainda é manter o distanciamento social, usar máscaras e evitar aglomerações.

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