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por Marcelo de Moraes

Coronavac cria embate entre Doria e Pazuello

Equipe BR Político

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O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), questionou, nesta terça-feira, 8, durante reunião em Brasília, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, sobre se o desinteresse do governo federal na compra de vacinas da Coronavac, produzidas pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, é por uma questão político-ideológica.

João Doria e Eduardo Pazuello. Fotos: Tiago Queiroz e Gabriela Biló

Desde o início da pandemia, Doria e o presidente Jair Bolsonaro travam uma batalha com a vacina como foco.

Com o tom de voz elevado, o governador paulista questionou: “O que difere, ministro, a condição e a sua gestão de privilegiar duas vacinas em detrimento de outra? É uma razão de ordem ideológica e política ou é uma razão de falta de interesse de disponibilizar mais vacinas?”, quis saber. A pergunta faz referência às medidas provisórias do governo para compra de doses dos imunizantes produzidos pela Oxford-AstraZeneca e as do consórcio Covax, que é gerido pela OMS.

Por enquanto, nenhuma das vacinas tem aprovação da Anvisa.

Como resposta, Doria ouviu de Pazuello que a vacina desenvolvida em parceria com o Butantan “não é do Estado de São Paulo”. O ministro afirmou ainda que não descarta a compra da Coronavc, mas que o negócio só será fechado após o registro do produto pela Anvisa e se houver demanda. Ele disse que o preço do produto também será considerado.

“Não sei por que o senhor fala tanto como se fosse do Estado”, disse. “Havendo demanda e preço, todas as condições serão alvo de nossa compra”, completou.

Em outubro, o ministro da Saúde chegou a anunciar que o governo compraria 46 milhões de doses da Coronavac. No dia seguinte, no entanto, foi desautorizado pelo presidente Bolsonaro, que afirmou que seu governo não compraria a “vacina chinesa de Doria”.