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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Coronel Tadeu foi afastado de funções na PM nos anos 90

Equipe BR Político

“Não há arrependimento. Quem foi atacada foi a Polícia Militar”, afirmou o deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) ao Estadão após repercussão de ato considerado racista na Câmara. O deputado que arrancou da parede da Câmara um quadro de exposição sobre racismo no Brasil na terça-feira, 19, foi afastado de suas funções na Polícia Militar de São Paulo após lançar um livro em defesa do armamento da população com o entendimento de que bandidos são pessoas “menos humanas”. Reaja! Prepare-se para o Confronto – Técnicas Israelenses de Combate é assinado por outros quatro capitães da época, entre eles o atual senador Major Olímpio (PSL-SP). 

De acordo com matéria da Folha sobre o lançamento, em seu decorrer, a publicação defende que “o uso de arma de fogo é recomendável, desde que a pessoa seja treinada; o bandido é uma pessoa ‘menos humana’ e deve ser posto ‘fora de combate’; e ‘Quando alguém quer eliminá-lo, atire na região de maior alvo, mas se possível na cabeça’”. Após o lançamento, quatro dos cinco capitães que assinaram o livro foram transferidos para outras funções dentro da corporação. O único que permaneceu em sua função foi Olímpio. O comandante-geral da PM de São Paulo na época, Carlos Alberto de Camargo, justificou os afastamentos afirmando que o livro era contra a política da corporação, de acordo com o jornal.

Deputado Coronel Tadeu Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

O ex-PM, em sua ação na véspera do dia da Consciência Negra, foi acusado de racismo e provocou reação de parlamentares, inclusive do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, como você leu no BRP. A peça arrancada da parede da Câmara continha uma ilustração de Carlos Latuff de um policial, de arma na mão, um rapaz negro estendido no chão, com a camisa do Brasil e algemado e a frase “O genocídio da população negra”. Em resposta a críticas à sua ação, justificou: “Fiz um protesto, isso não dá, maioria dos PMs tbm é negra”, afirmou ao BRP.