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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Covas admite se licenciar se não tiver condições

Vera Magalhães

Em entrevista ao Estadão, a primeira que concede depois de ter ido às pressas para a UTI na semana passada, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, admite também pela primeira vez a possibilidade de se licenciar do cargo caso o tratamento exija, ou lhe faltem “forças” para continuar administrando a cidade remotamente, como tem feito em parte do tempo desde que foi diagnosticado com câncer no sistema digestivo.

“Se houver necessidade, sim. Por enquanto, não houve. É uma questão objetiva, não é subjetiva. Havendo forças, condições físicas e psicológicas para continuar na Prefeitura, eu continuo. Não havendo, vou ter que me licenciar. Não é de ‘agora, talvez, porque o dia é par, o dia é ímpar’. Não é uma questão subjetiva. É uma questão de se os médicos recomendarem, não havendo a possibilidade de levar as duas coisas conjuntas, eu me licencio. Não tem nenhum problema. Não tenho nenhum apego ao poder. O que eu tenho é a responsabilidade de dirigir a cidade. Enquanto tiver condições, sou obrigado a continuar governando a cidade de São Paulo”, afirmou.

Ele descreve sem dourar a pílula a rotina de internações e as sessões de quimioterapia, inclusive com as reações adversas, e explica que foi um exame para detectar a localização exata do tumor que provocou a hemorragia que o levou à UTI. Diz que usa o trabalho para não pensar o tempo todo na doença, fala da reação do filho e, diante da comparação com a forma como o avô, Mário Covas, encarou a própria doença, afirma: “Não tem espaço para ser de outra forma. Ou você encara o desafio de frente, ou não encara. Não dá para encarar pela metade”.