Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

‘Não tem por que não botar a mão no fogo por Ricardo Nunes’, diz Covas

Equipe BR Político

O prefeito que disputa a reeleição em São Paulo, Bruno Covas (PSDB), afirmou não ter “qualquer tipo de dúvida” quanto ao vice de sua chapa, Ricardo Nunes (MDB), que esteve no centro de duas polêmicas, incluindo um suposto favorecimento de aliados com creches da Prefeitura nos últimos dias. “Não tem porque não botar minha mão no fogo por ele”, disse em entrevista aos editores do BRP. Covas disse ter a intenção de ficar os quatro anos no cargo e afirmou que não pretende renunciar se eleito.

Entrevista do candidato à reeleição em São Paulo, Bruno Covas (PSDB)

Entrevista do candidato à reeleição em São Paulo, Bruno Covas (PSDB) ao BRP Foto: BR Político

Na semana retrasada, uma reportagem da Folha levantou a suspeita de que o grupo político do vereador teria favorecido aliados que gerem entidades que mantêm creches parceiras da Prefeitura e que locam imóveis para elas em contratações. “As matérias em nenhum momento mostraram algum tipo de favorecimento. Em nenhum momento houve qualquer tipo de prova. Mostram que ele conhece as entidades do bairro em que ele atua. Que vereador não conhece as entidades do bairro em que atua?”, justificou Covas. “Não há nada que tenha aparecido que me faça ter qualquer tipo de dúvida em relação a Nunes”, disse.

O caso de uma acusação da esposa de Nunes contra ele por violência doméstica e ameaça em 2011 também veio à tona na última semana. A esposa registrou um boletim de ocorrência sobre caso na ocasião. Nos últimos dias o vereador negou a agressão e disse que a acusação ocorreu em um período em que sua esposa estava abalada e “falou coisas que não aconteceram”.

Covas também não condenou o vice no caso, apesar de dizer que “é uma questão que precisam prestar esclarecimento”. “Não sou daqueles que acha que briga de marido e mulher é uma questão que o poder público não deve interferir”, disse, antes de citar a negativa sobre a ocorrência de violência pelo vereador.

A escolha do vice da chapa do PSDB nesta eleição foi vista com atenção, tanto pela condição delicada de saúde pela qual o prefeito passou no ano passado, quanto pelo histórico de renúncia de mandatários do partido em São Paulo para concorrer a cargos mais altos. A vontade do partido era de compor uma chapa pura, mas a pressão por um integrante de alguma sigla da coligação venceu.

Covas negou pensar em deixar a administração municipal para concorrer a outros cargos na eleição geral, como fez João Doria em 2018 depois de prometer o contrário. “A população tem visto o comportamento dos 14 candidatos, quais estão tratando dos temas da cidades e quais estão fazendo dessa eleição um terceiro turno de 2018 ou uma antecipação de 2022. São esses que provavelmente estão muito mais preocupados com a eleição de governador e presidente da República. Quero ser eleito para ser prefeito pelos próximos quatro anos e boto minha mão no fogo por isso”, afirmou.

Propaganda irregular de Doria

Sobre a ação que bloqueou R$ 29 milhões do governador João Doria em uma acusação de improbidade devido a uma suposta propaganda irregular do programa “Asfalto Novo” quando Doria era prefeito, Covas afirmou não ver sentido na decisão. “É uma inversão de valores liberar André do Rap e segurar recursos do governador por um programa de recap na cidade”, disse (apesar de as duas decisões terem sido emitidas por cortes diferentes). Doria é acusado pelo Ministério Público de ter usado o programa para promoção pessoal e ter promovido gasto público indevido.

“Dizer que um político é beneficiado pelas suas ações é proibir qualquer ação desse governo. Eu não posso inaugurar um hospital porque vou ser beneficiado politicamente, não posso inaugurar uma creche?”, questionou.

Autocrítica do PSDB

Covas disse “concordar plenamente” com a necessidade de uma autocrítica do seu partido quanto a casos de corrupção dentro da sigla. O prefeito lembrou o pedido pela suspensão de Aécio Neves, que não foi atendido pela Executiva Nacional. “Todo mundo tem direito à sua defesa, mas no caso do Aécio há um áudio em que ele aparece pedindo recursos não contabilizados à JBS. Muito mais do que aguardar qualquer decisão judicial há um problema político a ser resolvido”, disse.

“O PSDB esconde as suas bandeiras e não fez a sua lição de casa fazendo o que outros partidos fazem de passar a mão na cabeça só porque às vezes acontece com pessoas do próprio partido”, continuou. Segundo ele, o partido tucano “perdeu contato com a realidade” e não souve “esclarecer o que defende” em 2018. 

Confira a íntegra da entrevista de Bruno Covas aos editores do BRP, Vera Magalhães e Marcelo de Moraes.

BRP Entrevista Bruno Covas

BRP Entrevista Bruno CovasCandidato à reeleição pelo PSDB em São Paulo participa da série de lives das eleições 2020

Publicado por BR Político em Terça-feira, 20 de outubro de 2020

Tudo o que sabemos sobre:

Bruno CovasRicardo NunesPSDBeleição