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por Marcelo de Moraes

Covid-19: Manaus recebe nova carga de cilindros de oxigênio

Equipe BR Político

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Depois de o governo do Amazonas afirmar que não tinha cilindros de oxigênio suficientes para dar conta do aumento de internações de pacientes com covid-19 no Estado, chegou a Manaus, nesta quarta-feira, 13, uma nova carga do material (150 cilindros) enviada de São Paulo, pelo Ministério da Saúde, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). A remessa é parte de uma carga de 30 mil metros cúbicos programados para serem transportados nesta semana de Guarulhos (SP) para Manaus. Ontem, 200 cilindros já haviam sido enviados pelo governo federal ao Amazonas.

Cilindros de oxigênio enviados pelo governo federal ao Amazonas. Foto: Reprodução/Twitter

Por causa do aumento de internações para tratamento da covid-19, o consumo de oxigênio em hospitais de Manaus está seis vezes maior. Atualmente, o Estado vive seu recorde de pessoas internadas ao mesmo tempo, cerca de 2 mil.

“Nós consumíamos na rede hospitalar pública do Estado algo em torno de 5 mil metros cúbicos e, só ontem, terça-feira, nossa rede hospitalar consumiu 58 mil metros cúbicos, resultado da abertura de novos leitos, só nos últimos dois meses foram mais de 700”, de acordo com vídeo publicado pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), no Twitter.

“Há, aproximadamente, 2 mil pessoas internadas, é a maior quantidade de pessoas internadas ao mesmo tempo em toda a história do Estado do Amazonas”, disse o governador.

A previsão é de que novas remessas cheguem ainda hoje. Na quinta, uma nova carga de 150 cilindros deve desembarcar no Estado.

“Nós vamos ter a chegada de mais duas aeronaves hoje e essa operação vai se repetir durante toda a semana. Isso é resultado de parcerias que nós estamos fazendo com o Ministério da Saúde, que está nos ajudando na aquisição de mini usinas de oxigênio que serão instaladas nos principais pronto-socorros da capital”, disse o governador, que agradeceu ainda o suporte do Ministério da Defesa na operação.

Bolsonaro culpa governador e prefeito

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro responsabilizou o governo estadual e a prefeitura de Manaus por, segundo ele, “deixar acabar” o oxigênio dos hospitais. A apoiadores, Bolsonaro disse que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, viajou na segunda-feira para Manaus para “interferir” na situação local, que segundo ele estava um “caos”.

Ainda segundo Bolsonaro, o número de mortos em Manaus “aumentou assustadoramente” devido à não aplicação do “tratamento precoce”, nome usado pelo governo federal ao tratamento com uso de medicamentos sem eficácia contra o coronavírus.

“Mandamos ontem o nosso ministro da Saúde para lá. Estava um caos. Não faziam tratamento precoce. Aumentou assustadoramente o número de mortes. E mortes por asfixia, porque não tinha oxigênio. O governo estadual e municipal deixou acabar o oxigênio. É morrendo asfixiado. Imagina você morrendo afogado. Fomos para lá e ele interferiu. Estão falando já que “interferiu…”. Então vai deixar o pessoal morrer?”, disse Bolsonaro em conversa com apoiadores, no Palácio da Alvorada.