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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Covid-19: OMS e Brasil com estratégias diferentes

Vera Magalhães

A indicação, feita pela OMS, de que os países adotem uma “estratégia agressiva” na prevenção e combate ao Covid-19 contrasta com a determinação do governo brasileiro nas últimas semanas: reduzir o alarmismo da sociedade com o novo coronavírus, encorajá-las a não procurar o sistema de saúde e apostar que não há ainda um surto local de contaminações pelo vírus.

O ministro Luiz Henrique Mandetta não descarta nenhuma hipótese para o desenrolar do ciclo da doença, mas na quarta-feira, quando eram 3 os casos confirmados (subiram para 7 confirmados e mais um pendente de contraprova um dia depois) ele insistia que todos os casos até então tinham sido contraídos fora do Brasil e que ainda não havia evidências de como o vírus se comportaria no clima brasileiro.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, insiste que ninguém tem razão para acreditar que o vírus vai se alastrar menos neste ou naquele país, daí porque recomenda a tal postura agressiva. Na quarta, Mandetta demonstrava ter restrições com a forma como a OMS conduz a crise, sobretudo pela discrepância original de números, quando o coronavírus começou a se propagar na China.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta Foto: Fabrice Coffrini/AFP e Dida Sampaio/Estadão

Até aqui, a sistemática de comunicação e de monitoramento da crise no Brasil vem recebendo elogios. O governo tem sido ativo na divulgação de casos e tem se preocupado em combater as fake news sobre o coronavírus e o pânico, mostrando que, para mais de 88% da população, a contaminação pelo Covid-19 não será mais forte que uma gripe comum.

Até aqui, a escalada de casos está bem lenta, o que tem dado lastro à política do Ministério da Saúde, coordenada com Estados e municípios.