Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: CPMF pode repetir o caminho (e o desgaste) da capitalização

Marcelo de Moraes

Exclusivo para assinantes

No Congresso, já é possível encontrar várias rodinhas de parlamentares reclamando da defesa que o governo passou a fazer da recriação da proposta da CPMF – ainda que ela receba um outro nome. Extinta em 2007, a proposta é vista como uma tentativa do governo para fazer caixa, mas causando prejuízo para vários setores. Com o ano eleitoral já quase batendo na porta de deputados e senadores, poucos são os que estão dispostos a bancar a ideia e arriscar seus projetos políticos para as eleições municipais de 2020. Sempre é bom lembrar que muitos deputados vão disputar prefeituras e mesmo os que não concorrerão se envolvem diretamente nas campanhas para emplacar seus aliados. No Senado, é a mesma coisa.

O ministro da Economia Paulo Guedes

O ministro da Economia Paulo Guedes. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Ou seja: para comprarem a briga a favor da CPMF, os parlamentares precisariam estar muito convencidos da compensação que ela poderia ter para a retomada do crescimento da economia. E não existe esse convencimento. Parlamentares mais experientes temem que a ideia acabe ainda tendo um efeito colateral podendo contaminar negativamente e embolar a discussão da reforma tributária.

Com o ministro da Economia, Paulo Guedes, se engajando na defesa da recriação do imposto, deputados e senadores avaliam que a iniciativa poderá provocar a mesma derrota – e desgaste – causada pela insistência de criar um sistema de capitalização dentro da reforma da Previdência. Sem ter convicção que a proposta era boa, os deputados enterraram, sem dó, nem pena, a capitalização num buraco fundo. Guedes reclamou muito, trocou críticas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e contabilizou o desgaste político pela iniciativa frustrada. Se não houver mudança na discussão da retomada da CPMF, a história poderá se repetir.