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por Marcelo de Moraes

Cresce inadimplência em dezembro, com 66,3% de endividados

Equipe BR Político

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O Brasil não está quebrado, como apontaram vários economistas e ex-ministros da Fazenda nos últimos dois dias após o presidente Jair Bolsonaro afirmar o contrário. Um sinal de que a economia vai bem parece estar é dentro dos domicílios brasileiros. Segundo levantamento divulgado nesta quarta, 6, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), houve aumento de 0,3% em dezembro no número de inadimplentes no Brasil com relação a novembro. A pesquisa diz que 66,3% dos consumidores estão endividados.

Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o crédito deve ganhar destaque na retomada da economia, em 2021. “É importante não somente seguir ampliando o acesso aos recursos com custos mais baixos, mas também alongar os prazos de pagamento das dívidas para mitigar o risco da inadimplência no sistema financeiro”, reforça Tadros, ressaltando que “grande parte do crédito ofertado durante a pandemia foi concedido com carência nos pagamentos e deve começar a vencer no início deste ano”.

No corte de renda, as trajetórias do endividamento passaram a apresentar tendências semelhantes em dezembro. Entre as famílias que recebem até 10 salários mínimos, o percentual subiu para 67,7% do total – após três reduções consecutivas. Para as famílias com renda acima de 10 salários, essa mesma proporção aumentou para 60%.

Apesar da alta do endividamento, os consumidores seguem conseguindo quitar débitos e compromissos financeiros. O total de famílias com dívidas ou contas em atraso apresentou a quarta redução consecutiva, caindo de 25,7%, em novembro, para 25,2%, em dezembro. Em comparação com igual mês de 2019, a proporção cresceu 0,7 ponto percentual. A parcela das famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permanecerão inadimplentes teve nova retração, passando de 11,5% para 11,2%. Em dezembro de 2019, o indicador havia alcançado 10%.

Com relação aos tipos de dívida, a proporção de brasileiros que utilizam o cartão de crédito voltou a crescer, alcançando 79,4% das famílias – a maior taxa desde janeiro de 2020 – mantendo-se como a principal modalidade de endividamento.

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