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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Crise ambiental alarma o governo

Vera Magalhães

A entrevista bastante nervosa de Jair Bolsonaro em sua já tradicional paradinha na saída do Alvorada, culpando a imprensa por supostamente mentir a respeito de ele ter responsabilizado ONGs pelas queimadas –para logo em seguida voltar a responsabilizar as mesmas ONGs–, um fio longo, em inglês, do assessor especial do Palácio, Filipe G. Martins, retuitado pelo próprio presidente, e o road show do ministro Ricardo Salles para falar sobre o tema mostram: o governo acusou o golpe e percebeu que perdeu a batalha da narrativa até aqui para a crise ambiental.

A crise atual, que ganha escala dia a dia, começou com o negacionismo oficial quanto aos dados colhidos pelo Inpe para o desmatamento, que culminou com a demissão do diretor do órgão, Ricardo Galvão, aos poucos começou a aparecer nas páginas da imprensa internacional –como na reportagem de capa da The Economist– e agora se espalhou como o fogo em fotos e filmagens da floresta e do cerrado ardendo sem controle nas redes sociais e na imprensa estrangeira. Acontece que a estratégia do governo ainda está só na negativa indignada: culpando “criminosos” genéricos, atirando em ONGs e no mensageiro, mas sem nenhuma medida repressiva, preventiva e mesmo reativa de grande escala. E Bolsonaro, tão cheio de autoridade em relação a outras áreas do governo, é leniente com o MMA: até hoje não se ouviu uma só palavra mais dura do presidente para Salles e equipe para que resolvam a crise que faz a imagem de seu governo arder mundo afora.

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