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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Crise na AL ‘quebra preceitos’, diz professor

Equipe BR Político

A crise que atinge alguns dos países da América Latina nas últimas semanas não segue uma receita. Por este motivo, a onda de protestos no continente está quebrando alguns preceitos, avalia o coordenador de Relações Internacionais da pós-graduação da FESP-SP, Moisés Marques.

Para ele, a queda de Evo Morales na Bolívia, os protestos no Chile e a invasão da embaixada venezuelana em Brasília mostram que as insatisfações populares com governos na América Latina não está necessariamente ligada com a crise econômica nos respectivos países.

“Na América Latina estamos quebrando com alguns preceitos. Vemos um descolamento entre performance econômica, digo macroeconomia, e o encantamento ou desencantamento com o processo político. Acreditávamos que se um país estava bem economicamente, o povo não ficava descontente com o governo. Como dizia James Carville, o estrategista de Clinton, ‘é a economia, estúpido’. Os casos latino-americanos desmentem um pouco isso”, afirmou em entrevista ao Estadão.

Em relação específica ao caso da invasão da embaixada venezuelana, o professor aponta que a atitude institucional mais correta é um pedido de desculpas ao país.

“É um desconforto imenso para o País permitir a invasão a uma embaixada. Em tese, é uma invasão à Venezuela. Se cria um problema diplomático por uma questão muito pequena num dia que se sedia os Brics. Você vai falar que apoia o movimento por ser contra o autoritarismo com China e Rússia aqui? A atitude institucional correta é retirar as pessoas e pedir desculpas públicas à Venezuela. É preciso respeitar a instituição. Custa acreditar que isso aconteceu”, disse.