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por Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Ex-porta-voz reforça ideia que Bolsonaro vira as costas para aliados

Marcelo de Moraes

Em duro artigo publicado no Correio Braziliense, o general Otávio Rêgo Barros fez sua primeira manifestação pública desde que deixou o cargo de porta-voz da Presidência. Sem citar o nome de Jair Bolsonaro, o general usa o exemplo do imperador romano Júlio César para lembrar ao presidente que o poder é transitório. Com o título de “Memento moro”, “lembra-te que és mortal” em latim, o general reforça a ideia de que o presidente, desde que venceu a eleição em 2018, virou as costas para os antigos aliados, especialmente aqueles que fazem alertas e críticas aos problemas do governo.

O porta-voz da Presidência, Otávio Rego Barros

O porta-voz da Presidência, Otávio Rego Barros Foto: Anderson Riedel/PR

“Os líderes atuais, após alcançarem suas vitórias nos coliseus eleitorais, são tragados pelos comentários babosos dos que o cercam ou pelas demonstrações alucinadas de seguidores de ocasião.

É doloroso perceber que os projetos apresentados nas campanhas eleitorais, com vistas a convencer-nos a depositar nosso voto nas urnas eletrônicas, são meras peças publicitárias, talhadas para aquele momento. Valem tanto quanto uma nota de sete reais”, escreveu Rêgo Barros.

E o general coloca o dedo na ferida ao afirmar que a “discordância leal” não encontra espaço e é vista como um problema. “Alguns deixam de ser respeitados. Outros, abandonados ao longo do caminho, feridos pelas intrigas palacianas. O restante, por sobrevivência, assume uma confortável mudez. São esses, seguidores subservientes que não praticam, por interesses pessoais, a discordância leal”, escreveu.

Sobram exemplos no governo de aliados fiéis defenestrados pelo presidente por discordarem de decisões ou por apontarem problemas. Os ex-ministros Gustavo Bebbiano, o general Santos Cruz, Sérgio Moro, Luiz Henrique Mandetta, são os mais graduados na hierarquia da equipe de Bolsonaro. Mas no Congresso também há muitos casos de parlamentares deixados de lado pelo presidente apenas por não se alinharem.

E o texto de Rêgo Barros aponta uma queixa que vem se tornando recorrente entre esses ex-aliados e até mesmo entre auxiliares ainda no governo. O presidente não estaria disposto a ouvir críticas, mesmo que sejam construtivas.

“A autoridade muito rapidamente incorpora a crença de ter sido alçada ao olimpo por decisão divina, razão pela qual não precisa e não quer escutar as vaias. Não aceita ser contradita. Basta-se a si mesmo. Sua audição seletiva acolhe apenas as palmas”, escreveu o general exatamente nessa linha. “Infelizmente, o poder inebria, corrompe e destrói!”, acrescenta.

Sem dúvida alguma, a crítica feita por Rêgo Barros desgasta a imagem do presidente. O ex-porta-voz é uma figura respeitada nas Forças Armadas e fora delas. Exibe também o aumento do desconforto da ala militar em relação ao tratamento que recebe do presidente, como aconteceu no caso da “guerra da vacina”, quando o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, foi desautorizado publicamente por Bolsonaro.

O artigo do general serve como mais um alerta da insatisfação que ronda Bolsonaro entre seus próprios seguidores. E o deixa cada vez mais dependente de apoios políticos, como o do Centrão. E, como todos sabem, essa aliança costuma mudar conforme a direção do vento sopra.

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