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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: A hora da reforma social?

Vera Magalhães

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A última controvérsia na votação da reforma da Previdência, que levou senadores a restabelecerem o critério atual do pagamento do abono salarial, evidenciou que o governo usou, em muitos casos, a proposta de emenda à Constituição que reorganiza as aposentadorias para dar uma “arrumada” em programas sociais que estão dispersos e desfocalizados. Os senadores, assim como os deputados tinham feito no caso do BPC e da aposentadoria rural, reagiram à tentativa de fazer uma reforma “2 em 1”, que atingiria os mais pobres e quebraria o discurso de que a reforma combate privilégios.

Votação dos destaques para a proposta de emenda à Constituição (PEC) 6/2019, da reforma da Previdência

Votação dos destaques para a proposta de emenda à Constituição (PEC) 6/2019, da reforma da Previdência. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Mas economistas liberais que olham para o gasto público dizem que é urgente fazer uma reforma também na árvore de Natal dos benefícios sociais, sobretudo em tempos em que o teto de gastos comprime a margem para investimentos. Uma PEC que tramita no próprio Senado e estabelece o Benefício Universal Infantil é vista como a possibilidade de substituir mecanismos pouco eficazes, como o próprio abono e o salário-família, por outro voltado para crianças, atuando na ponta oposta à da Previdência.