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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: A irresponsabilidade de Toffoli

Vera Magalhães

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, age de forma no mínimo irresponsável ao conceder uma entrevista na qual, sem dar nenhum elemento concreto, alude à articulação de uma espécie de golpe, urdido pelo Legislativo, para derrubar o presidente Jair Bolsonaro aos quatro meses de governo. Conversei nesta sexta-feira com 3 ministros do STF, 3 ministros de Bolsonaro, 2 ex-ministros, 1 general, 2 governadores de Estado e 6 parlamentares.  Todos classificaram, em maior ou menor grau, o risco de ruptura institucional nos meses de abril e maio como fantasioso.

Toffoli já se referiu ao seu suposto papel de pacificador em conversas anteriores com algumas dessas fontes. Mas nunca pintou o quadro dramático que emerge perigosamente de sua entrevista à Veja desta semana. Alertado por alguns desses interlocutores, o próprio presidente do STF procurou se esquivar de ser a fonte dos pontos mais cáusticos do relato, como o que dá conta de que um general chegou a aventar a possibilidade de usar um dispositivo constitucional para garantir a “lei e a ordem”. Num momento em que cabe ao STF justamente a função de moderar a relação entre os Poderes, convém ao seu presidente ter moderação. Inclusive porque ali, sob seus auspícios, estão em andamento procedimentos esses sim questionáveis do ponto de vista da Constituição, como o inquérito-ônibus criado por ele e cuja existência ele parece querer legitimar plantando alarmismo numa sociedade já dividida e polarizada. / Vera Magalhães