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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: A surpresa Boulos em São Paulo

Vera Magalhães

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A grande surpresa da pesquisa do Atlas para a sucessão paulistana é a força do candidato do PSOL, Guilherme Boulos. Ele aparece empatado tecnicamente com Bruno Covas (PSDB), Celso Russomanno (Republicanos) e Márcio França (PSB) na frente, mas a análise de alguns dados do levantamento e da conjuntura política da disputa, e particularmente da divisão da esquerda, tornam esse feito ainda mais notável.

O que a pesquisa do Atlas mostra de forma que nenhum levantamento de outros institutos captou até aqui é uma força do líder do MTST entre o eleitorado rico, jovem e altamente escolarizado. Isso dá ao seu eleitor um perfil semelhante ao que o PSOL adquiriu no Rio de Janeiro, com nomes como Marcelo Freixo, Chico Alencar e outros. Essa prevalência no que se pode chamar de voto de opinião pode ser um impulso para o candidato do PSOL ganhar tração também nas faixas de baixa renda e baixa escolaridade que tradicionalmente votam no PT, mas estão órfãs com a candidatura de Jilmar Tatto, pouco conhecido e carismático e que não é unanimidade nem no partido.

A identificação do estilo, das ideias e até do physique du rôle entre Boulos e Lula parece surtir efeito com o eleitorado petista tradicional, tanto é que 37% de quem votou em Fernando Haddad em 2018 escolhe o nome do psolista agora.

Na liderança numérica, mas em empate técnico com o primeiro pelotão, Bruno Covas parece começar a superar o estigma da renúncia de João Doria Jr. à prefeitura no segundo ano do mandato, repetindo o que José Serra já fizera em 2010. Isso custou a Doria a derrota na capital por larga margem em 2018 e ainda lhe rende uma baixíssima avaliação na cidade.

Mas Covas parece ir conquistando, aos poucos, um descolamento de sua imagem em relação à do governador. O Atlas mostra que ele é quem tem a imagem mais positiva entre os postulantes, embora em seu caso e de todos os demais a negativa supere a primeira.

A impressionante vantagem que Covas tem entre as mulheres em relação ao eleitorado masculino parece mostrar que o drama pessoal do prefeito, que enfrenta um tratamento de câncer que fez questão de tratar com transparência desde o início pode ter sensibilizado as eleitoras.

A situação de Russomanno promete ser a variável política mais importante das próximas semanas. Até aqui, o candidato do Republicanos vem resistindo ao assédio para abandonar a candidatura, embora ainda mantenha conversas com emissários do PSDB e do PSD nesse sentido. A investida de Jair Bolsonaro para convencê-lo a ficar no páreo pode ter peso decisivo para que ele permaneça. Nesse caso, pode ser também um combustível relevante para o aumento de sua intenção de voto, já que o eleitorado do presidente ainda está ou indeciso ou dividido em várias candidaturas, por falta de um envolvimento mais claro de Bolsonaro com a sucessão paulistana.