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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Ano perdido na Educação

Vera Magalhães

Em 2019, o Brasil tomou pau em Educação. Repetiu. Perdeu o ano. A dupla Ricardo Vélez Rodriguez e Abraham Weintraub promoveu um festival de desserviço ideológico naquela que, sem dúvida, é a pasta mais estratégica para a construção do futuro do País. O acervo de audiências públicas das quais os dois designados por Jair Bolsonaro para o MEC participaram no Congresso, e não foram poucas, parece uma série de terror.

Desinformação, quando não fake news, ou paranoia pura e simples. Narrativas completamente descoladas da realidade, ausência completa de projetos claros, de metas e de políticas públicas foram exibidos durante horas, para a incredulidade até de parlamentares que não são especialistas no assunto.

Na mais recente dessas participações, nesta quarta-feira, Weintraub disse, para estupefação da Comissão de Educação da Câmara, que estaria promovendo uma revolução na pasta. Levou um passa-fora do deputado Idilvan Alencar (PDT), ex-secretário de Educação que encerrou seu período com bons indicadores no Ceará, que nem alguém “altamente drogado” poderia imaginar que ele faz algo próximo de revolução na Educação.

Ele também apontou algo que fica patente nas ações de Weintraub, cuja cabeça está balançando na Esplanada: ele não tem inteligência emocional. Na mesma audiência disse que a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) o havia deixado “no chão” por mencionar um assunto de família que ela não citara, mas que ele fez questão de explicitar –algo que faz a todo momento, lembrando de traumas pessoais e acadêmicos como se dissessem respeito a suas funções como ministro de Estado.

Que Bolsonaro esteja pensando em substituir Weintraub é uma notícia positiva, desde que o presidente, também ele um mestre em pautar decisões por aspectos como birra, simpatia pessoal e ideologia, não use o vazamento do desgaste justamente para manter o auxiliar, como já fez em outros casos.

Weintraub já foi abandonado pelo padrinho no cargo, o titular da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que percebeu que o desastre na área crucial para o sucesso do governo acabaria por ser debitado na sua conta. Seu partido, o DEM, faz lobby para voltar a controlar a pasta, que geriu, com resultados razoáveis, no curto governo de Michel Temer. O problema é que o DEM já tem Casa Civil, Saúde e Agricultura, todas elas pastas vistosas e cobiçadas. Dificilmente Bolsonaro dará mais uma cadeira ao partido que tem como principal expoente em Brasília o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tem se notabilizado por buscar um contraponto ao chefe do Executivo.