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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Auxílio emergencial segura Bolsonaro

Vera Magalhães

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Pesquisas recentes de avaliação do presidente Jair Bolsonaro, como as realizadas pelo Datafolha e pelo Ideia Big Data, mostram que a queda livre de popularidade que ele experimenta desde o início do ano foi momentaneamente estancada, e até existe alguma oscilação positiva de seus índices, ainda dentro das margens de erro.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Isac Nóbrega/PR

O levantamento mais recente do Ideia mostra que oscilou de 25% para 29% o porcentual daqueles que consideram o governo ótimo ou bom, enquanto o índice de ruim e péssimo ficou estável, em 49% (ante 50% da quinzena anterior). Quando o entrevistado é questionado sobre a forma como Bolsonaro conduz a gestão, de novo um alento para ele: o ruim ou péssimo foi de 54% para 50% em 15 dias, e o ótimo ou bom de 26% para 28%.

E o que explica tal movimento justamente quando a crise política de múltiplas frentes que atinge o presidente chegou ao ápice, com a prisão de Fabrício Queiroz e a decisão unânime do STF de validar o inquérito das fake news, entre outras derrotas? O que explica é o auxílio emergencial pago pelo governo nos últimos 3 meses, a despeito de toda a dificuldade logística de fazer o dinheiro chegar aos necessitados, às fraudes e outros problemas de implementação da transferência.

Bolsonaro começa a descrever uma trajetória que muitos analistas e cientistas políticos previram quando da aprovação do auxílio: a de “trocar” seu público de apoiadores, perdendo aval nas classes A/B e ganhando nas de baixo, sobretudo D e E.

Esse movimento ainda não é perceptível em todo o seu potencial nas pesquisas, e caso o auxílio seja prorrogado, como se discute, pode ser mais pronunciado em pesquisas futuras.

Os dados da Pnad relativos à economia na pandemia de covid-19, a Pnad Covid, realizada pelo IBGE, mostram com clareza o impacto do auxílio na redução da pobreza, num intervalo de tempo muito curto: os dados de maio mostram que enquanto o desemprego sobe de maneira dramática, o percentual daqueles que vivem na pobreza foi de 25% para 22%, e os que estão na extrema pobreza passaram de 5% para 3,5%. É uma das maiores reduções da pobreza nas últimas décadas, operada em pouco tempo.

Acontece que o auxílio, tal como está sendo pago, não cabe no Orçamento como ele está desenhado, e haverá um embate político duro no segundo semestre entre a pressão para que ele seja prorrogado — que deve incluir principalmente o presidente, beneficiário dos dividendos da política — e a equipe econômica que ainda se apega à esperança de voltar a alguma política de ajuste fiscal.