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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Auxílio veio para ficar

Vera Magalhães

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A prorrogação por dois meses do auxílio emergencial de R$ 600, com o truque de diluir o último deles em duas vezes como para prolongar seu efeito, ainda mostra a dificuldade da equipe econômica para lidar com a realidade: ao menos em 2020, o auxílio será permanente.

Dados como o do desemprego, divulgado nesta terça-feira, explicitam que, por mais que Paulo Guedes insista em sua postura negacionista da realidade e repita, sem nenhuma base, que o Brasil vai “surpreender”, a surpresa será mesmo do ministro da Economia, ao perceber que sua função será reduzida a arranjar fontes para pagar o auxílio.

Isso já projeta o dilema: Bolsonaro vai querer cortar o fluxo de dinheiro na veia dos mais pobres quando as pesquisas começarem a demonstrar que eles serão sua nova base eleitoral, como escrevi domingo?

Guedes preferiu ir prorrogando o auxílio aos poucos, talvez numa postura semelhante à dos que preferem colocar primeiro um pé, depois outro na água gelada a pular de uma vez na piscina.

Pode até dar uma sensação térmica melhor, mas o choque, quando decidir dar o mergulho, será inevitavelmente o mesmo.