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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Bolsonaro age para inviabilizar reformas

Vera Magalhães

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É o presidente Jair Bolsonaro, sem intermediários, que age para inviabilizar a chance de aprovação das três emendas constitucionais que Paulo Guedes enviou ao Congresso no ano passado, da reforma administrativa –que o Ministério da Economia concluiu há semanas, mas o Palácio do Planalto segura– e da reforma tributária.

Foto: Isac Nóbrega/PR

Ao criar crises em doses diárias e cada vez mais cavalares, o presidente vai jogando no lixo o primeiro semestre do ano, a rigor o único útil no Congresso, graças às eleições municipais.

Com isso, em vez de se fortalecer perante o Congresso e a população, ele se enfraquece fortemente. Senão, vejamos: a principal (quiçá única) razão pela qual o mercado olha de lado para os abusos retóricos e administrativos de Bolsonaro em áreas como relação com os Poderes e a imprensa, Meio Ambiente, Educação e Cultura é apenas um: a esperança de que a economia cresça acima de 2% neste ano, as reformas sejam aprovadas e a crise econômica fique definitivamente para trás.

Pois a crise global com o coronavírus e a queda da expectativa de crescimento vão fazendo a esperança se esvair e só sobrarem os desvarios de Bolsonaro e de sua tropa ideológica.

O governo deveria estar unido para reatar laços com o Congresso e aprovar a reforma, mas trata de implodir quaisquer pontes com o parlamento. Ao esgarçar o tecido institucional, o presidente não se dá conta do óbvio: embora macaqueie o comportamento do presidente norte-americano, ele não é Donald Trump. Não dispõe de uma maioria no Senado que vai livrá-lo caso ele continue fomentando o caminho para ser processado por crime de responsabilidade.

Nada, nem um naco dessa crise foi criada pela oposição, que assiste a tudo entre aturdida e a reboque. Foi Bolsonaro que, em vez de usar o Carnaval para descansar, tratou de promover mais crise. A volta do Congresso quando efetivamente começa o ano legislativo será tomada por discussões a respeito do comportamento do presidente. Por obra e graça do próprio.

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