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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Da Vera: Bolsonaro busca antídoto à imprensa

Vera Magalhães

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O fim de semana mostrou um investimento de Jair Bolsonaro em obter o aval de setores da mídia a seu governo, para neutralizar o que considera uma parcela da imprensa hostil a seu governo, que ele identifica nos grandes jornais e revistas e na Rede Globo. Foi emblemática desse esforço a cena –que certamente passará à história como uma das mais marcantes do atual governo– do presidente ajoelhado e de olhos fechados diante do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus e da Record, para ser “consagrado a Deus” por ele. Com direito, aliás, a ataques do bispo à imprensa.

A emissora ligada à igreja tem sido constantemente citada nas redes de Bolsonaro, dos filhos e dos aliados como aquela que veicula informações confiáveis. Na semana passada, a Record produziu uma reportagem com acusações contra jornalistas da Globo –expediente que já usou também nos governos petistas, quando Macedo apoiava Lula e Dilma Rousseff. O titular da Secom, Fábio Wajngarten tem um relacionamento antigo e próximo com a Record e também com o SBT –cujo dono, Silvio Santos, Bolsonaro visitou no fim de semana. A emissora, aliás, se comprometeu com o assessor de Bolsonaro, em reunião realizada em São Paulo há algumas semanas, a participar ativamente da Semana do Brasil, com reportagens em tom patriótico.